supernova

Tyler Bollman, 2015

— Você já viu uma estrela morrer? — disse, enquanto segurava a estrela em uma das mãos.

A garotinha expressou um não com a cabeça, movendo-a de um lado para o outro.

— Venha cá, vou te mostrar — trouxe a criança para mais perto. Colocou a estrela nas mãos delas. O pequenino corpo celeste respirava com dificuldade. Sua forma aumentava e diminuía com cada fôlego, deixando pai e filha pensando qual seria o último. Sua luz parecia desaparecer a cada segundo, mas ainda brilhava o suficiente para não conseguirem olhar diretamente para ela por muito tempo sem um leve incômodo nos olhos.

— Ela tá doente? — a garota perguntou,a voz e os olhos mais inocentes que a frágil estrela em suas mãos.

— Não, ela caiu — disse o pai — Ela se desprendeu do céu e caiu aqui. É muito jovem ainda, elas não costumam resistir a queda quando estão tão pequenas.

A garota começou a chorar.

O pai então abraçou a filha e pediu para que abrisse mais as mãos, para que não dificultasse ainda mais a respiração do pequeno astro. Emitia um som como uma faca passando em outra faca, só que mais agudo e distante. O cheiro era metálico, também, mas também o cheiro do fogo e do ouro.

— Não dá pra gente cuidar dela, pai? — ela disse entre as lágrimas.

— Nem tudo dá pra gente consertar, querida — ele falou — Além do mais, a morte dela é só o início de outras coisas.

Sua cor mudou de amarelo para azul para branco em instantes. O pai pediu para que a filha prestasse atenção. No final da contagem, ela devia jogá-la para cima. 3…2…1…

— Agora!

A filha lançou o corpo sem vida da estrela para cima com toda força que conseguiu tirar do seu corpo pequenino. O corpo celeste girou algumas vezes no ar até emitir um som como o apito de um trem. Parou em um ponto do espaço e começou a girar horizontalmente. Girou até alcançar velocidade o suficiente para que ninguém conseguisse distinguir nenhum aspecto seu. Então, explodiu.

As cores que preencheram o céu noturno se espalharam como fogos de artifício. Poeira estelar viajou por toda a imensidão escura, salpicando o vazio com pequenos brilhos quase insignificantes. No lugar onde ela estava, um buraco que parecia abrir uma fenda no próprio céu, de um preto mais escuro que o próprio espaço.

— Uau, essa deu bons frutos. Tá vendo, filha? De cada ponto desses nascerá uma estrela. Aquela que você jogou era nova, mas bem fértil. Você acabou de criar mais maravilhas dessas. Agora vamos, temos muito o que fazer.

Saíram em busca de mais corpos celestes jogados no gramado. O céu salpicado salpicava a terra, agora, com novas estrelas mortas para colher e cultivar a vida no céu.

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