A mudança da Banda Beatrix

Eu me considero um fã das antigas do Beatrix. Pra falar a verdade, eu não sei exatamente quando que conheci os caras. Eu acho que foi numa das minhas idas à Canção Nova. Me lembro de ter visto a capa do primeiro CD e pensado: “Caramba, isso deve ser rock”. Na época eu tava numa vibe de conhecer e dar suporte pra praticamente qualquer banda de rock católico (ainda sou meio assim pra falar a real) que eu conhecesse. Comprei o disco sem hesitar. Ouvi o CD inúmeras vezes e curti demais.

Capa do primeiro CD do Beatrix, ainda com a formação original da Banda.

Quando eu gosto de uma coisa, gosto mesmo. Então comecei a procurar por tudo que era conteúdo da banda (comunidade de orkut, site oficial, agenda de shows, etc) e acabei conhecendo, mesmo que de longe, o perfil pessoal da banda. Rolou um show aqui na minha cidade/paróquia, tirei foto com os caras. Boas lembranças!

Lembro também que eu era um leitor árduo do blog do guitarrista, nem sei se isso existe isso ainda. Meu eu adolescente adorava essa proximidade que a internet proporcionava de estar “perto” de uma galera que você curte o trabalho. Descobri que a Lize é uma baita designer e que foi responsável pela minha capa favorita do Rosa. Mind Blown. Comecei a pagar pau para, além da banda, os integrantes de maneira individual.

Criei um grupo no last.fm, fiz uma das minhas ilustras favoritas (vergonha ao ver a maneira que eu escrevia na época haha — N anos atrás, dá um desconto aê). Enfim, devo dizer que gostava bastante dos caras. Na real, ainda gosto demais, talvez de uma maneira menos romantizada (leia-se “tiete”), mais madura. Tenho também o segundo CD, ouvi até enjoar o Acoustic Sessions e contribui para o terceiro trabalho, Motirõ.

O que tá me motivando a escrever tudo isso é na verdade um ponto de interrogação que tá na minha cabeça já tem um bom tempo: por que a mudança de comportamento tão radical da banda?

Inicialmente, eles se consideravam e se denominavam como banda de rock católico (ou banda católica de rock, como preferir). Em seguida, após um tempo, uma banda com valores cristãos. Agora, finalmente, uma banda secular, desvinculada de qualquer link que se faça com a Igreja.

Em outras palavras, o que aconteceu no meio do caminho para ter a seguinte mudança:

- Banda Católica (com direito a momento de reflexão/oração nos shows);
- Banda com valores cristãos, não vamos evidenciar isso;
- “Caralho, Santos, que show absurdo!” #showfodabagarai.

Isso pode ser coisa minha, mas eu percebo uma mudança nítida de postura, comportamento e linguagem ao longo do tempo. Me pergunto o por quê.

A única possibilidade que passa pela minha cabeça é: “Será que valores ideológicos passaram a ser incompatíveis com valores religiosos?”

Sei lá, nos próprios canais oficiais da banda é difícil encontrar episódios do passado… Sinceramente eu não espero nenhuma explicação disso. Estou mais botando pra fora uma questionamento antigo no melhor estilo “theorycrafting” das interwebs.

Segundo o batera, depois da mudança, passaram a tocar em muito mais lugares, com mais frequência, mesmo tocando as mesmas músicas. Acho isso massa. Até porque não quero julgar a opção pessoal de cada um. O que acontece é que, pra mim, essa mudança na maneira de se comunicar foi tão brutal que deve ter um motivo aí no meio.

Pessoalmente, devo continuar ouvindo o som dos caras. Gosto demais das músicas e acredito que o novo disco deva ficar tão bom, senão melhor que o anterior. Talvez um dia eles toquem no assunto de maneira pública, ou talvez não. Tanto faz, na real. Enfim, boa sorte na nova caminhada.

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