INFLUENCIADORES, PEDOFILIA, CAETANO E HIGHSEXUAL
A entrada em cena de uma geração afinada com um discurso de direita e soi disant racional faz tanto ruído que a algaravia encobre as contradições mais gritantes que emergem do discurso deles.
Decretaram o fim do formador de opinião.
Cada geração mata o que mais a incomoda (raiva de Caliban?). Em outros tempos já mataram a melodia, o figurativo, o verso etc.
Quanto a esse ponto, a obsolescência do formador de opinião, há unanimidade na tchurma: a velha mídia morreu e aqueles foram juntos. Agora, dizem, as pessoas se manifestam diretamente via redes sociais e dispensam a mediação de quem quer que seja para expor suas próprias opiniões.
E como se nomeiam esses arautos da nova era da informação democratizada? Influenciadores de Redes Sociais.
Qual é a diferença de fundo, de essência, entre o papel exercido pelo Formador de Opinião e o Influenciador de Rede Social?
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Vamos de Wikipédia, que dá conta do recado:
“Formador de opinião (FO) é uma pessoa que tem a capacidade de influenciar e modificar a opinião de outras pessoas nos campos político, social, moral, cultural, econômico, esportivo, alimentar, etc. As opiniões podem pertencer a grandes grupos do pensamento, como opção religiosa, tendência política, comportamento sexual, torcidas esportivas, preferências pessoais, etc.”
E aqui ficamos sabendo que “influenciadores digitais são pessoas, personagens ou grupos que se popularizam em redes sociais como Youtube, Instagram, Snapchat, Twitter, Facebook, Tumblr e várias outras. Esses influenciadores são desenvolvedores de “conteúdo” para a internet e acabam gerando um público massivo que acompanha cada uma de suas postagens e eventualmente compartilham com outras pessoas.
Essas novas personalidades originadas da internet não se restringem a apenas uma rede social, a união delas faz com que eles alcancem um público maior e assim consigam firmar o seu espaço na internet. O surgimento desses novos formadores de opiniões digitais também causa uma mudança comportamental e de mentalidade em seus seguidores, que tendem a ser facilmente influenciados.”
Nihil novi sub sole. A diferença é nenhuma.
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Para não dizerem que brigo com um “espantalho” (aliás, como o repertório dessa gente é extenso! Quando precisam fugir de um debate, tacham logo: não discuto espantalhos!) veja aqui como um entrevistado é apresentado pela Madeleine Lacsko na TV Antagonista. Não há o menor esboço de reprovação ao título.
E que fique posto desde já: estou apontando a contradição entre negar o valor de algo enquanto se adota, essencialmente, postura idêntica a criticada. Não tenho, em princípio, nada contra alguém ser influenciador ou formador de opinião seja de direita ou esquerda, ande ele pra frente ou pra trás. Enquanto formos uma democracia, que cada um se manifeste como deseja.
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Sigamos adelante.
Entre os temas mais comentados nesta semana pelos formadores rectius influenciadores está entrevista da Paula Lavigne à Revista MAIRE CLAIRE na qual ela declara que “perdeu a virgindade aos 13 anos, quando Caetano Veloso tinha 40”.
Curioso como os que decretam o fim da velha mídia são pautados por ela. Mas o que chamou a minha atenção foi a adesão acrítica de rockeiros-influenciadores nesta denúncia de pedofilia.
É certo que a notícia em si tem potencial para fomentar o debate. Mesmo tendo ocorrido há tempos.
No entanto, em tempos nos quais se tenta reabilitar o rock e colocá-lo a serviço de uma ideologia, no presente caso, de direita, é importante resgatar certas histórias.
Como a do envolvimento sexual de Jerry Lee Lewis com uma menina de 13 anos mesmo estando casado. Ou seja, traição e pedofilia.
Isso ameniza o caso Caetano? Não! Mesmo sendo situações quase idênticas, cada um que arque com o peso de seus atos.
Mas o motivo pelo qual essa passagem arquiconhecida da biografia do Jerry Lee Lewis não emergiu para fazer o paralelo e o compositor baiano esteja sendo tão criticado talvez se deva ao fato das posições políticas do Caetano, as quais considero execráveis em sua maioria, não serem do agrado dos novos corifeus.
Há uma disputa pelo poder. Os aspirantes a mandarins querem acabar com o mandarinato baiano, que nem sei se existe ainda, não para que a cultura respire livre, mas para porem cangalhas em seus potenciais vassalos.
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Na referida entrevista a “polêmica” também fica por conta de a Paula Lavigne se declarar usuária de maconha para fins medicinais.
Esse papo de maconha medicinal é muito aborrecido. Só de pensar me dá bode e larica.
Para falar de maconha tem que ser de forma mais criativa. Como fizeram os caras do site HYPENESS. Lá eles não têm colírio nem óculos escuros. São banderosos ao falar da erva do diabo, do bagulho, do preto, do chá, da chibaba ou qualquer outro nome que se queira dar à cannabis sativa.
Porém, se são saidinhos para falar do consumo da erva quando o assunto é a sexualidade maconheira não são tão assumidos.
Segundo a matéria sobre highsexual apesar de muitos usuários masculinos se sentirem atraídos por outros homens, ou até manterem relação sexual, isso não faz deles gays. Sei.
A situação descrita no texto é ridícula. Um dos desdobramentos do que se diz ali pode ser exemplificado neste hipotético diálogo:
_ Cara, ontem eu fumei tanto bagulho que acabei pagando um boquete para o Pedrão.
_ Porra! Que louco!
_ Foi mesmo ….
_ De onde veio esse chá?
_ Da Ladeira Tabajara …
_ Ih! …
_ Que foi?
_ É que os caras do movimento lá foram presos anteontem …
_ Caralho!
_ e foram liberados porque a maconha era macho.
_ E dai!?
_ Como e dai!!!?? Maconha macho não tem THC!
_ … mas …
_ Mas o que?!?
_ … será que foi por isso que não consegui engolir?
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Vou encerrar como os Influenciadores de Redes Sociais, que não gostam da velha imprensa, mas vivem pedindo uma boquinha num jornal.
Alô, Gazeta de Botucatu! Fala, Correio de Mossoró! Precisou, é nós na fita!