Concordo em parte. Porque há comediantes que fazem piadas sobre si mesmos ou sobre seus próprios pares: Richard Pryor e Eddie Murphy imitam os negros caricatos e todos riem, comediantes judeus são famosos por incorporar os maneirismos dos seu pais e mães em suas piadas, Monty Pythom eram a exacerbação do inglês pomposo e estúpido. O exercício de se colocar no lugar dos personagens falha, porque eles SÃO os personagens.
Não dá pra considerar que algumas características são a identidade de um grupo social, e elas SÃO engraçadas, mesmo para eles, essa é a razão do sucesso dos Trapalhões e do Mazzaropi, eles “ofendiam” todo mundo, menos a quem estavam representando: o negro bonachão, o nordestino esperto e o gay espevitado — que era o Zacarias, convenhamos.
Os humoristas nordestinos, gaúchos e “caipiras” construíram suas carreiras em cima dos seus estereótipos e não vejo nenhum mal nisso. Um cigano fazendo uma piada sobre um Amish que…sei lá, pregou um dedo no celeiro, não vai soar tão engraçado quanto a sua tia que tropeçou na fogueira dançando flamenco. Você tem que conhecer o seu público e saber fazer piada com as suas idiossincrasias, coisa que o Rafinha Bastos e o Danilo Gentili NÃO sabem fazer.
Acho que a elite intelectual, a qual me incluo, está se apropriando demais das opiniões que deviam sair do próprio público. Sim, Zorra Total era um sequência de preconceitos e mau gosto intermináveis, mas muita gente via a graça mesmo sabendo disso, achar que não sabiam é uma pretensão nossa.
Ah, falando em politicamente correto, o certo seria “a travesti” e não “o travesti”. Chato, né?