Manifesto literário

Luiz Carlos Peres
Aug 26, 2017 · 2 min read

Em verdade vos digo, tudo que escrevo é mentira.

E o mais certo de tudo é o quanto não sei.

Se arrogo certezas são sólidas dúvidas,

só ergo impérios de gelo e papel.

Não acho em mim o quanto me interesse.

E se acaso me vês credite a teus olhos.

Construo de ti que é matéria mais certa.

Roubei-te na noite enquanto dormias,

fucei teus discursos e cacoetes.

As tuas verdades, os teus alfinetes.

A tua festa tão doce, a mesma em que há vida.

A dor da saída, a mesma que é a vida.

Proponho balões que te levem contigo.

Só peço que venhas e roubes também.

Assaltes a obra, retire o que tem.

Engula de vez o que te convém.

E deixe o restante que junte alguém.

Se restar rima pobre que seja amém.

São ossos do ofício nossos orifícios.

O castelo de um é a masmorra de outros.

Então vigie a estrada que eu preparo a mentira.

Eu só distraio o guarda, é você quem se atira.

Se aparo tua falta, me apuro do choro.

Se retorno com o gosto da tua alegria

é você quem se esfola no asfalto e nem chora.

Quem dera eu tivesse toda energia.

Faria alegria com a sabedoria.

Quem dera a verdade fosse carambola.

)

Luiz Carlos Peres

Written by

Escritor por teimosia e respeito às insistentes histórias que nos perseguem. Também diretor teatral, professor de teatro, contador de histórias. Terráqueo.

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