Tamanho importa?

Neste terceiro artigo, tentaremos responder a uma questão que sempre aparece ao orçarmos um trabalho. Para uma determinada imagem, qual a ampliação máxima que conseguimos obter?

Os equipamentos hoje disponíveis (fora os corpos com sensores de médio formato), possuem uma resolução de sensor iniciando em 12 Megapixels, passando por 16 Megapixels, e tendo um limite máximo de 36,3 Megapixels para a Nikon D810 e de 50 Megapixels para dois novos modelos da Canon. Imagens panorâmicas geradas por fusão de várias imagens podem ter resolução maiores que estes limites.

Não entraremos no mérito de que nem sempre a resolução do sensor se apresenta totalmente na imagem gerada, pois a lente e uma série de fatores podem interferir diminuindo a resolução real da imagem. Para isto, sites como o do DXO apresentam dados de laboratório aonde diversos equipamentos e lentes são combinados. Dentro do propósito deste texto vamos assumir a resolução plena do sensor.

Um outro aspecto que impacta muito a impressão é o formato do arquivo original e o fluxo de tratamento que a imagem sofreu. Como já citamos nos artigos anteriores, é muito importante que os arquivos base sejam em formato RAW e que todos os tratamentos intermediários sejam não destrutivos (como o Adobe Lightroom faz, por exemplo). Conversões para JPG devem ser evitadas a todo custo, a não ser no final e mesmo assim só se for inevitável.

O fluxo genérico ideal, para uma ampliação de qualidade seria:

  1. RAW
  2. Conversão para DNG (opcional)
  3. Edição do Lightroom ou Photoshop (usando camadas)
  4. Geração de um DNG ou Tiff 16 bits em Adobe RGB em resolução máxima
  5. Envio ao impressor

Mesmo no caso de ampliações muito grandes, recomendo que não se mande a imagem interpolada. Gere a imagem na máxima resolução possível e deixe o trabalho de interpolação para o impressor.

As impressoras de alta qualidade como as da marca Epson e as da marca Canon, possuem resolução de saída de 360/720 dpis e 300/600 dpis respectivamente, ou seja, as imagens recebidas dos aplicativos de impressão são “resampleadas” via software para se adequar a estas resoluções.

Este processamento pode se dar tanto com a “retirada” de resolução de imagens como com a “adição” desta resolução via interpolação.

O problema, ou a vantagem, é que tanto o driver da impressora quanto o software de impressão fazem com que este processo seja muito mais flexível do que apenas a matemática possa mostrar.

Se considerássemos apenas as resoluções nativas das impressoras, teríamos os seguintes limites por megapixels da imagem original, utilizando-se 300 dpis como saída:

Ou seja, uma imagem de 16 Megapixels, poderia gerar ampliações de no máximo 30 x 40 cms, uma imagem da Canon 5d Mk III permitiria lago por volta de 50 x 33 cms e a Nikon 800/810 uma imagem de 40 x 60 cms, o que obviamente é muito pouco em qualquer um dos casos.

Para contornar estes limites, resolvemos testar a capacidade de ajuste dos softwares de impressão para trabalhar com imagens obtidas com equipamentos disponíveis no mercado e mesmo assim obter impressões de dimensões significativas com elas.

Pegamos uma imagem em Raw, criada com uma Canon 5D MkIII. A imagem teste foi selecionada por apresentar um volume razoável de detalhes, um pouco de ruído devido ao ISO alto e uma latitude de exposição adequada.

Recortamos uma parte complexa da imagem, fomos simulando ampliações e mudando parâmetros da impressora. Depois de muitos testes, chegamos as seguintes ampliações máximas com a qualidade que queríamos:

Para chegar a estes valores, comparamos as imagens de modo a que a diferença de qualidade não fosse perceptível entre o tamanho matematicamente ideal e as ampliações reais máximas. Nem todas as combinações de parâmetros funcionaram, mas de maneira geral conseguimos um ganho de 3 vezes sobre os limites matemáticos de impressão.

Este limite estendido depende dos seguintes parâmetros :

Qualidade original da imagem

Nitidez (foco)

Nível de ruído (ISO)

Qualidade da lente

Tipo de arquivo (RAW)

Exposição adequada

Fluxo de tratamento

Manutenção dos espaços de cor

Tratamentos não destrutivos

Imagem final em um formato adequado

Software de impressão

Compatibilidade com o software de tratamento

Capacidade de interpolação

Boas características de acerto de nitidez em função do tipo de papel que será utilizado

Com isto, tentei passar um pouco do que testamos na prática, sem entrar em detalhes das ferramentas ou em informações muito técnicas a respeito dos equipamentos.

Um aspecto adicional, que sempre é levado em conta na análise de ampliações é a distância provável em que a imagem será vista, nos nossos testes consideramos este parâmetro como fixo e analisamos as imagens geradas sempre da mesma distância.

No próximo artigo vou entrar um pouco mais nos possíveis fluxos no Lightroom e no Photoshop de modo a se obter melhores resultados nas impressões.

Texto originalmente publicado na revista Black&WhiteinColor