Dois ou três encontros

Tivemos alguns encontros. Dois ou três. Olhares interessados. Ciúmes singelos, mas muita tranqüilidade e equilíbrio. Dois adultos em busca de um “possível” relacionamento, curto ou longo… Médio, talvez? Os beijos eram leves e calmos, serenos e profundos — longos como eu gosto. Aquele beijo que começa devagar e pouco a pouco te leva a marte, te arrepia os pelos da nuca. Aqueles que amolecem qualquer joelho. Beijos tão perfeitos e que feitos para você te faz ficar a mercê da própria vulnerabilidade. Beijos no pescoço que te fazem perder a estação, a sintonia com o real. Foi assim que entramos nos beijando em seu apartamento naquela noite. As luzes apagadas, menos a de um abajur que deixou o ambiente amarelado com ar de fotografia antiga. “Espera”, você disse. E me soltou.

Foi até a mesa de vidro e acendeu três velas, duas eram amarelas e uma vermelha. Ligou o som e era uma de minhas cantoras favoritas cantando uma de minhas musicas prediletas, Ana Canãs penetrou o ambiente cantando “esconderijo”. “Ana? Como sabe que gosto?”, “não sabia” respondeu abrindo o vinho e servindo as taças sobre o balcão. “Curte a Ana?” me perguntou com olhos sensuais e me entregou a taça, “Muito, em especial esta música”. “Que bom, mais em comum” me disse levantando a taça para o brinde: “a nós”; “a essa noite” interrompi eu. Ele me olhou calado, como quem vai anos à frente, volta anos atrás, como quem viaja na velocidade da luz e de repente a suavidade de um canário. “O que mais temos em comum?” perguntei meio embriagado pelos martínis anteriores no bar. “Não sei, quero descobrir… Pouco a pouco” e tirou a taça de minhas mãos e se aproximou com seus beijos por toda a minha face e pescoço até tocar seus lábios nos meus e aquela sensação anestesiante me consumir por completo.

As velas sobre a mesa seriam as únicas testemunhas daquela tórrida noite de volúpia e cheia de paixão, se não tivessem derretidas quando acabamos. Nós nos consumimos com a fome de voz dos mudos. O gozo de tirar o ar, o tremor interno transcendeu qualquer possibilidade de jogos de amor… Inesquecível aquela noite, e que ao amanhecer me desperta desespero, Hoje sinto saudade. E quando acho que não, quando desisto de acreditar que com você poderia ser diferente o celular toca, meu whats, mensagem sua dizendo querer me ver, diz estar com saudade. Seguir e deixar acontecer ou parar por aqui? Eis que não sei o que responder… (um minuto) Pronto, respondi. Mas acho melhor não contar.

imagem oxford-blog

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