Painel Noturno

A lírica da introversão é marginal

É a poesia que se come pelas beiras

É arte que entra pelas frestas com a luz da lua no zinco furado

É uma melancolia vaporosa, uma sonolência contínua

Que faz do momento inspirado do homem

Um pedaço de sonho que se vive acordado

O meu serviço é retratar o silêncio

Um filme mudo super expressivo

É dar corda à mente na cidade fria

Enquanto dorme o cidadão trabalhador

Os gatos sabem disso muito bem

(talvez também as corujas)

Do quanto se pode tirar do ponto de vista de espectador

Querer ser heroi nesses tempos loucos é quase suicídio

Prefiro agir como um vadio qualquer, rabiscando

E sob a lua tudo fica bem

À noite é quando a natureza aflora

Em cada tempo houve alguém que ficou atento o bastante

Das coisas que, independendo do progresso das engrenagens

Sempre estiveram aí

Pego o beco, desço a rua, cruzo a esquina

Adentro quadros, afrescos do silêncio

No voo noturno dessa boemia

Interiorano amor adormecido

Quem algum dia teve o sono jogado fora pela Musa

Notou que a noite é o palco da utopia

Num quarto escuro, escorregando amores

Num bar Eternamente enfeitiçado

Atrás da máquina, à pena, ao computador

Iluminando com papel e tinta

A lua foca os loucos, os reis de si mesmos

Atinge o sonho e o molda à sua vontade

Assim dançamos, até o último ato

Quando as bordas claras do céu nebuloso

Anunciam a chegada do sono.

08/06/2017

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