Novas tecnologias para melhorar a segurança no trabalho

A tecnologia chegou para ajudar a organizar as empresas, também se faz necessário pensar em profissionais qualificados e experientes nessa atividade. E daí, surgem também novos problemas de segurança do trabalho.

Os profissionais de TI, responsáveis por lidar com tecnologia, costumam trabalhar em espaços confinados, não projetados para permanência contínua e carentes de ventilação, com um único acesso para entrada e saída e, por vezes, com iluminação deficiente.

Essa atividade, embora recente, tornou necessária a criação da NR-33, uma regulamentação específica para entrada e trabalho em espaços confinados.

Ela traz à luz aspectos referentes à ventilação nesses recintos, o uso de recursos que medem níveis de hidrocarboneto, oxigênio e gás carbônico no ambiente, além de outros agentes. A NR-33 também chama atenção para iluminação adequada, se o local possui ou já possuiu substâncias explosivas, inflamáveis, asfixiantes ou tóxicas. Nesse caso, o ambiente é classificado como IPVS (Imediatamente Perigoso para a Vida e a Saúde), demandando cuidados mais precisos, como por exemplo uma equipe de resgate de plantão, além de outras que impeçam incidentes e acidentes de trabalho.

Portanto, quando uma empresa pensar em se atualizar com novas tecnologias, deve contemplar também o investimento, não apenas em máquinas e equipamentos de ponta, mas também na capacitação, treinamento e avaliação do ambiente para que esses profissionais também possam trabalhar com segurança. Um exemplo disto pode ser observado no trabalho dos pesquisadores alemães da Ruhr-Universität Bochum (RUB), que desenvolveram uma plataforma de treinamento utilizando “realidade virtual” para sensibilizar os operários da construção civil em relação aos aspectos de segurança do trabalho nos canteiros de obra. Utilizando Modelagem da Informação da Construção, do inglês — Building Information Model — BIM, conseguem simular, em ambientes virtuais de obra, situações de risco aos operários que são equipados com óculos de “realidade virtual” e um dispositivo de controle para interagir com a plataforma de treinamento.

Vale ressaltar que o processo de “gamificação” do treinamento (o uso de elementos do ambiente de jogos em atividades não relacionadas ao entretenimento), influencia e estimula o engajamento das pessoas, além de facilitar o processo de aprendizagem ao torná-lo mais lúdico e dinâmico. No processo, depois que o operário passa pelos desafios em ambiente virtual, ele é incentivado a contribuir com sugestões para tornar o canteiro mais seguro.

Esta plataforma permite que os operários aprendam, além de lidar com situações de risco, a se familiarizar com o ambiente de trabalho no qual exercerão as suas atividades antes mesmo de sua entrada no canteiro de obras. Além disto, quando há uma modelagem em BIM é possível identificar previamente situações de risco que deverão ser controladas pelas equipes de projeto, planejamento e gestão.

Robótica

Os maiores benefícios de uma maior utilização da robótica serão a substituição das pessoas que trabalham em ambientes insalubres ou perigosos. Nos setores do espaço, defesa, segurança ou indústria nuclear, mas também nos da logística, manutenção e inspeção, os robôs autônomos são particularmente úteis para substituir os trabalhadores humanos que realizam tarefas sujas, repetitivas ou inseguras, evitando assim a exposição dos trabalhadores a agentes e condições perigosos e reduzindo os riscos físicos, ergonômicos e psicossociais. Os robôs já são utilizados, por exemplo, em tarefas repetitivas e monótonas, no tratamento de material radioativo ou no trabalho em atmosferas explosivas. No futuro, muitas outras tarefas altamente repetitivas, arriscadas ou desagradáveis serão realizadas por robôs numa variedade de setores, como a agricultura, construção, transportes, saúde, combate a incêndios ou serviços de limpeza.

Apesar destes progressos, existem certas aptidões para as quais os seres humanos continuarão durante algum tempo ainda a ser mais dotados do que as máquinas, e a questão será determinar qual a melhor combinação entre as aptidões dos humanos e dos robôs. As vantagens da robótica residem, por exemplo, em trabalhos pesados que requeiram precisão e elevada repetição, enquanto as vantagens humanas residem na criatividade, na tomada de decisões, na flexibilidade e na capacidade de adaptação. Esta necessidade de combinar aptidões ideais resultou na colaboração entre robôs e humanos que partilham de forma mais estreita um espaço de trabalho comum e levou ao desenvolvimento de novas abordagens e normas a fim de garantir a segurança da «fusão humano-robot». Alguns países europeus estão a incluir a robótica nos seus programas nacionais e tentar promover uma cooperação segura e flexível entre os operadores e os robôs a fim de obter maior produtividade. Por exemplo, o Instituto Federal Alemão da Saúde e Segurança no Trabalho (BAuA) organiza workshops anuais sobre o tema «colaboração humanos-robôs».

No futuro, a cooperação entre robôs e seres humanos será diversificada, graças a uma maior autonomia dos robôs e a formas totalmente novas de colaboração humano-robô. As abordagens e as normas técnicas atuais destinadas a proteger os trabalhadores contra os riscos do trabalho em colaboração com robôs terão de ser revistas como preparação para esta evolução. Existem outros desafios em matéria de SST, relacionados com o aparecimento no futuro de robôs autônomos e com a robótica de serviços que terão de ser abordados:

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