Café e bolo de chocolate

Uma das mais simples e boas coisas da vida nesse planeta, pelo menos para mim, é degustar um espresso bem cremoso num café. Para isso há que escolher um local agradável, ali se sentar em boa companhia e passar horas sem limites de tempo e assunto. E enquanto a conversa flui tão deliciosa quanto o café, pede – se uma torta – sem se preocupar com nada além do sabor – e depois uns biscoitinhos, ou quem sabe outras delícias que é pra gente abastecer o corpo enquanto a alma passeia pelos assuntos tratados. Estava num desses encontros outro dia e conversávamos sobre a maneira como cada mulher reage ao fim de um relacionamento. Não sei bem em que momento um dos homens da mesa se manifestou e estacionamos naquelas que passam a maldizer todos os homens da face da Terra, como se estes fossem o enviado das trevas, criados somente para fazer infelizes todas as mulheres. Estas, após a relação acabar, iniciam uma generalização que classifica o gênero masculino em apenas um tipo: o que não presta. E após essa etiqueta ser fixada não há quem as convença de que não é bem assim ou que uma reflexão sobre a parte que lhes cabe nesse fim de relacionamento seria muito proveitosa. (Exaltou-se meu amigo.) Ouvindo-o não pude tirar-lhe a razão. Mas me remeti ao que ouvi numa palestra outro dia: se há uma desilusão, “não há o que lamentar, mas sim o que agradecer”. A vida me ensinou que é exatamente assim pois ninguém sai de uma relação sem aprender algo, nem que seja apurar suas escolhas. Infelizmente aquelas moças optam por vendar seus olhos e não ver o lado bom da coisa. E o que era cegueira de amor se transforma em super visão do ódio. Uma visão ampliada sob a lente da raiva não pode ser clara, lógica, madura, imparcial. Não. Amplia somente pontos negativos e esconde o que havia de bom. Assim, sob a égide da raiva, da falta de gratidão, do ressentimento, elas tendem a maldizer os homens. Estávamos inflamados na questão quando uma de nós se disse representante de tais moças. Despejou todo seu repertório de impropérios sobre nossa forma de pensar e concluiu dizendo que nunca mais, nunca mais teria um homem em sua vida. Pedimos mais uns cafés e bolinhos e entre gracejos e alguma sacanagem mudamos o assunto para a falta que os seres abomináveis nos fazem. Nossa amiga se irritou e resolveu encerrar sua parte no evento. Se despediu de nós e saiu de mau humor. Ficamos ali mais um tanto e ao voltar para casa me pus a pensar que o que sei, é que sempre há uma parte que nos cabe. Assim como eles erram, nós também o fazemos. A vida, essa continua e nos apresenta sempre algo que nos redime ou faz perdoar os erros de um amor. E sobre minha amiga, parece que não estava tão convicta assim pois bem vi quando ao sair, ela esticou os olhinhos para o rapaz que comia um enorme pedaço de bolo de chocolate, na mesa perto de nós.

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