
Dói, mas faz crescer
Um dia a gente acorda e percebe que todos os eventos — e adventos — não poderiam jamais ter deixado de ocorrer em nossa vida, pois não sendo assim não seríamos quem somos. Me recordo de quando me separei pela primeira vez. Ao ver aquele ser saindo porta afora um misto de felicidade e desespero tomou conta de mim. Estava livre e aterrorizada por não saber como exerceria essa liberdade. O que teria que pagar? Sim, porque a liberdade cobra um preço altíssimo pra quem deseja possuí-la. Ela não vem de graça não senhor. É algo para o qual nossas economias nunca são suficientes. A liberdade exige que saibamos exatamente o que queremos. Ou pelo menos o que não. E no exato momento em que me vi só, com um bebê nos braços, me dei conta de toda a força que havia em mim e da necessidade que eu teria dela à partir daquele momento. Não fosse aquele rompimento eu poderia estar hoje entre as tantas mulheres infelizes, desrespeitadas, estagnadas, sem autoestima, sem perspectiva nenhuma a não ser; manter uma relação doentia e sem nada a acrescentar para ambos. Não fosse aquele momento de quebra, não teria vivenciado tantos momentos felizes com outras pessoas, não teria me mudado para outros lugares, não teria realizado tantas coisas que naquela relação seriam impensáveis. Aquela ruptura, embora tenha trazido tanta dor, culminou na minha felicidade. Fez com que eu olhasse para mim mesma com outros olhos e que me permitisse ser quem eu sou. O crescimento que um momento adverso nos oportuniza, pode passar inadvertido no momento em si da adversidade. Mas se formos capazes, de passados os momentos mais dolorosos, observar com o olhar da aprendizagem, já não haverá tanta dor e algo terá surgido disso tudo. É como ser jogado no fundo de um poço lamacento e sentir que a lama faz pesar o corpo, nos empurrando cada vez mais para baixo, e ao invés de sucumbir, resistir. Usar a lama como escudo, como proteção, como estímulo para um banho purificador. Esse processo de escalada para a luz lá de fora, exige acatamento às Leis, que mesmo ainda incompreendidas precisam ser aceitas. E aceitar esse momento de dor não é ficar estagnado no meio da lama. É saber que aquilo vai te impulsionar para algo melhor. E sair. Não é fácil, mas é possível. E ao sair a gente percebe que tinha que ser exatamente como foi, ou não teríamos a chance de ir moldando o ser que somos e que viremos a ser, após cada queda: um ser mais forte, mais livre, mais sábio, feliz. Um ser melhor.
