A tempestade da mente quieta

O solo treme.

Treme, pois aguentou quieto por tempo demais. Quieto ao peso, que era muito. Quieto ao barulho, que lhe tirava a calma. Quieto às tempestades, que lhe devastavam.

Cansado, rendeu-se a erupção iminente.

O terremoto desarma suas estruturas. Rachaduras brotam em meio aos pedregulhos e à terra desnivelada. Você pode ver o vapor subindo e o solo aceitando o tom avermelhado. O céu se fecha como uma chapa de chumbo, e raios chicoteiam as nuvens.

Não desistiu, o solo, veja bem: rendeu-se. Rendeu-se, pois podia aguentar mais. Mais porrada, mais chuva, mais barulho, mais peso. Podia continuar lutando.

Mas não quis. Rendeu-se a tudo que havia absorvendo e alimentando em suas raízes. Agora, era hora de botar para fora.

Abraçou a tempestade.

Permitiu que a chuva rolasse.

Fez dos trovões a sua voz.

Abriu uma página em branco,
e deixou que a lava fervente escorresse.