Amor de calmaria
“Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira..” Pablo Neruda — Soneto XVII
O amor é a meu ver o grande objetivo da vida. Pouco importa o que acontece em nossa existência, sem amor a vida passa despercebida. Sem sal. E é dele que extraímos a força para existir. Contudo, o amor por ser esse sentimento fácil que nasce em lugares improváveis e não pede licença para existir e acontece na liberdade que só há naqueles que finalmente encontraram este. Bem precioso que nos faz vender tudo que temos para que por instantes possamos tê-lo. O amor não é certeza, antes é pulo de fé em busca daquilo que é maior que nós e que a vida.
Por isso todo encontro de amor deve ser comemorado. Celebrado. Por que onde se manifesta o amor ali Deus faz morada, e come conosco, e o coração de todos se enche e finalmente os pesares são colocados de lado. O amor deve ser sempre o caminho. Deve ser sempre o sentido. E a razão. Se hoje estamos aqui reunidos em família, de sangue e de espírito, é por que o Amor uniu aquilo que no seu devido tempo deveria ser unido. Se hoje a história se repete é porque deveria se repetir. Dizem que a infância é onde aquilo de mais importante acontece em nossas vidas, e todo resto é desdobramento. E estamos aqui revendo as voltas que a vida dá. Se hoje já adultos se reencontram é por que ainda crianças tiveram a experiência de se encontrarem e por um pequeno instante experimentaram aquilo que hoje reaparece, não mais como duas crianças descobrindo a existência, mas como dois adultos que se reacharam. Acredito que Lalazinho e Vivizinha sorriem ai dentro de vocês.
Diante de todas as voltas que a vida dá. Diante de toda confusão que a vida é. Diante de todas as coisas nas quais somos jogados como quem não tem ideia do que está acontecendo. É o Amor, sempre ele que deve nos guiar. O Amor de calmaria. Aquele que nos coloca diante do mar agitado da existência e assim mesmo simplesmente temos a coragem de seguir dentro desse barco. O amor é coragem, é força, mas também paz e compreensão, é onde os nossos pés encontram finalmente descanso da caminhada cansada. Mas não é o fim, antes é o começo, pois o Amor é como uma grande Árvore que tem suas raízes nas profundezas para alcançar e abrigar aqueles que buscam um pouco de sombra e descanso.
Neste dia as alianças são meros símbolos daquilo que é indizível. O compromisso é apenas memória daquilo que é vivo e vivido. Pois o amor enquanto comprometimento já existia. E hoje diante de todos nós se manifesta em um símbolo simples, caro, mas simples. Hoje Laerte e Viviane, neguinho e branquinha, Lala e Vivi, assumem aquilo que já há muito habitava-os e como amigos e parentes enchemos nossos corações desse Amor e celebramos pois a alegria deles é a nossa alegria. E viva o casal.
Ps: Texto escrito em homenagem aos meus grandes amigos e agora casal Laerte e Viviane.
