The walking dead e o apego emocional

E como somos um lixão humano, né?

Ontem à noite eu estava morrendo de sono, em pleno domingo, depois de um dia muito gratificante na casa de um amigo, com pessoas maravilhosas, eu estava exausta, cansada, tudo que eu queria era deitar e dormir eternamente. Já no banho, lembrei que tinha um episódio novo de the walking dead que seria exibido em algumas horas, então numa reação instintiva da minha mente, saí do banho e procurei alguma coisa para me manter acordada até a hora que começasse o episódio.

Por que diabos eu fiz isso? Não sei. Uma reação totalmente inconsciente, não pensei, apenas fiquei esperando o episódio começar.

Não é segredo para ninguém, nem mesmo e principalmente para os fãs de TWD (como eu) que a série vem ficando cada vez mais previsível e repetitiva, com a chegada do personagem Negan, ainda tem tido sua salvação. E por que ainda não parei de assistir? E por que em um dia que eu estou completamente sem vontade de assistir, eu ainda estou esperando o episódio novo começar?

Novamente, não sei… Bem, não sei ao certo. Não espere que eu vá responder a sua pergunta de por que você insiste em não se desfazer do seu violão que faz anos que não toca uma nota, ou daquela bicicleta velha que você jura que vai começar a usá-la para exercícios, ou quem sabe aquele número que você guarda na sua agenda daquela pizaria que seu amigo te indicou mas que você nunca experimentou porque tem certeza de que aquela que você compra há anos é a melhor da cidade…

Eu comecei a assistir The Walking Dead em 2010, logo de cara me apaixonei. A partir da 3º temporada comecei a ficar incomodada mas nunca deixei de assistir porque sempre tinham episódios maravilhosos, de tirar o fôlego, que ainda me impressionavam, que faziam parte do que eu mais gostava na série, entretanto nos últimos anos a série vem sendo fragmentada demais no quesito “eu ainda tenho o que ver nessa série”, cada vez mais raras as vezes em que eu ainda me surpreendo, as vezes que eu me empolgo, mas como um viciado em uma droga eu ainda estou esperando sentir a primeira sensação novamente.

E nós somos assim. Não posso falar por todas as pessoas, mas posso falar pelo o que eu vejo ao me redor. Nós gostamos de coisas que já não nos fazem tão bem assim, ou de coisas que simplesmente nos tomam espaço (ou até quem sabe os dois). De sentimentos velhos que um dia foram bons sentir, de um amigo que já não sabe qual é o seu filme favorito ou não lembra seu sonho que era viajar para Londres (que agora é Veneza e ele não sabe), daquele livro que você jura de pé junto que não leu ainda porque está sem tempo…Longe de mim pôr uma amizade ou um sentimento em pé de igualdade com aquela sua boneca de 1998, mas será que ainda vale a pena? E se não? Se desfazer e deixar para sempre é uma boa ideia? E se acordamos amanhã de manhã com saudade, com vontade daquilo que jogamos fora?

Ontem eu fui dormir na metade do episódio, decidida de que não valia mais a pena continuar. Hoje de manhã no primeiro tempo livre que tive, procurei o episódio para terminar de assistir…O que eu sei é que eu poderia fazer milhões de outras coisas num domingo à noite, mas a sétima temporada de TWD ainda não acabou.

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