10 grandes vitórias do Liverpool na Champions League no século 21

O Liverpool está de volta para onde pertence. O maior campeão da Liga dos Campeões na terra da rainha retorna ao seu palco favorito e iniciará sua caminhada na quarta fase dos playoffs, entre os dias 16 e 23 de agosto. Para celebrar, resolvemos relembrar grandes vitórias dos reds na Champions League esse século!

10 — Liverpool 2–1 Ludogorets — 2014/2015

Após cinco longos anos, o Anfield se preparava para seu primeiro jogo de Champions e os anfitriões recebiam os búlgaros do Ludogorets. O estádio pulsava, a vibração era palpável e a atmosfera era digna de noite europeia. No entanto, um jogo morno em campo viu sua primeira mudança no placar apenas aos 82 minutos, quando Mario Balotelli (ele mesmo!) recebeu a bola na área e segurou dois defensores para empurrar a bola pro fundo do gol.

Balotelli foi um fracasso com a camisa do Liverpool, mas esse gol foi um bom começo de carreira em Anfield.

Os visitantes, então, decidiram sair pro jogo e, aos 90 minutos, Dani Abalo, que havia saído do banco, passou por Mignolet e empatou o jogo para os búlgaros.

E quando parecia que a reestreia dos vermelhos estava arruinada, Manquillo é derrubado dentro da área pelo goleiro, aos 92 minutos, e o juiz aponta a marca da cal. Capitão na bola, a redonda na rede e o Anfield em festa. Seu retorno aos grandes palcos só poderia ser com drama. Dali em diante, a campanha foi um completo fiasco, mas por 90 minutos, o Anfield era o lugar para se estar.

9 — Liverpool 8–0 Besiktas — 2007/2008

Após três jogos e apenas um ponto na fase de grupos, os comandados de Benitez precisavam de uma vitória convincente para buscar uma classificação. Azar do Besiktas.

Duas semanas antes, o mesmo adversário venceu em seus domínios e o Liverpool buscava dar o troco. Logo aos 19 minutos, Peter Crouch abriu o placar e deu a liderança aos vermelhos. Benayoun fez o segundo gol pouco depois e o jogo foi para o intervalo com o Liverpool em boa vantagem. A coisa ficou feia mesmo no segundo tempo.

Poucos minutos após a volta dos vestiários, Benayoun marcou mais uma vez e o israelita viria a completar seu hat-trick em seguida. Yossi Benayoun tem o mesmo número de hat-tricks de Kenny Dalglish com a camisa do Liverpool… Já com 4–0 no placar, Steven Gerrard se envolveu com um chute desviado, que venceu o goleiro. O substituto Ryan Babel, então, marcou duas vezes, a segunda contando com muita sorte. Por fim, Peter Crouch fez seu e enterrou o clube turco. 8–0. Até hoje, a maior vitória da história da Champions League.

8 — Liverpool 2–0 Inter de Milão — 2007/2008

O Liverpool enfrentava um time que não via uma derrota em 5 meses, enquanto os próprios reds foram eliminados pelo Barnsley na FA Cup. Benitez estava ameaçado no cargo, mas seu currículo na Europa era impressionante o bastante para os torcedores acreditarem numa vitória.

Materazzi foi expulso ainda no primeiro tempo, recebendo dois cartões após duas entradas em Fernando Torres. Ainda assim, um primeiro tempo morno acabou em 0–0, com Rafa claramente temendo por seu trabalho e buscando uma estratégia mais cautelosa.

No entanto, a Inter voltou para o segundo tempo num 4–4–1 e, de repente, o Liverpool dominava o jogo. Ainda assim, os italianos resistiam bravamente e apenas aos 85 minutos, Dirk Kuyt tirou o zero do placar.

Kuyt celebra o seu gol contra a Inter de Milão.

Aos 90 minutos, Steven Gerrard fez 2–0 e deixou o controle do confronto nas mãos do Liverpool, que viria a vencer o segundo jogo por 1–0 e se classificar para as quartas-de-finais.

7 — Real Madrid 0–1 Liverpool — 2008/2009

Yossi Benayoun. Talvez o jogador mais subestimado do século, dentre os que já defenderam essas cores. Ele foi um grande jogador, e com certeza merece ser lembrado com mais frequência. Mas antes do jogo em si, esse torna-se tão marcante por tudo que o envolveu.

Yossi Benayoun comemora o gol que calou o Santiago Bernabéu

Em campo, O Liverpool era espetacular. Fora dele, no entanto, era uma bagunça. Gillett e Hicks começavam sua missão de destruir o clube e, a essa altura, os dois nem se falavam mais. Na manhã do jogo, saiu a notícia de que Rafa Benitez havia sido demitido. Eu vou repetir: No dia em que o Liverpool enfrentaria o Real Madrid no Santiago Bernabeu, seu futuro era tido como em xeque. Absurdo, não? Não. Esse era o nível de desorganização que o clube havia chegado. A notícia era absurda e, obviamente falsa, mas por tudo que acontecia nos bastidores, poderia muito bem ser verdade.

Em campo, no entanto, o Liverpool dominou do começo ao fim e aos 82 minutos, Yossi Benayoun marcou o único gol do jogo e calou o Bernabeu. Benitez sobreviveu a noite, mas durou pouco menos de um ano no cargo. Ainda assim, uma noite inesquecível em Madrid.

6 — Barcelona 1–2 Liverpool — 2006/2007

Uma das mais famosas vitórias e comemorações de gol da história do Liverpool. Riise e Bellamy se envolveram em uma briga antes do jogo que envolveu um taco de golfe, Dudek foi parar na cadeia, o elenco destruiu um lobby de hotel em Portugal na semana anterior ao jogo… E quando a bola rolou, o Barcelona de Ronaldinho e Messi sucumbiu aos homens de vermelho.

Craig Bellamy e a tacada de golfe!

Os dois últimos campeões se enfrentavam em dois jogos para decidir quem seguiria em busca do sonho de chegar a Atenas. Ronaldinho, Eto’o, Deco e um jovem Lionel Messi formavam um ataque poderosíssimo e Rafa Benítez precisava achar um jeito de deixar para trás todos os ocorridos pré-jogo e buscar um bom resultado na primeira perna do confronto.

Deco abriu o placar para os catalães e colocou os anfitriões em controle do jogo, mas os deuses do futebol quiseram que Bellamy e Riise, logo eles, marcassem os gols da virada e selassem uma vitória para o folclore do clube. Jamais esqueceremos Craig Bellamy e sua tacada de golfe!

5 — Liverpool 4–0 Real Madrid — 2008/2009

Se o primeiro jogo foi marcante, a volta em Anfield seria inesquecível. Após conquistar a vantagem com um gol de Benayoun, o Liverpool chegava para a segunda perna em controle do confronto e o Anfield prometia estar balançando.

Se os torcedores ainda precisavam de algum motivo para fazer uma grande festa, o jornal Marca estampou em sua capa uma manchete que dizia: “ESTO ES ANFIELD… Y QUE?”.

Isto é Anfield… e daí?
Isto é Anfield… e daí?

O confronto estava ganho antes mesmo de ser jogado. Imaginem um jovem Fernando Torres, no auge de seus poderes, torcedor de infância do Atlético de Madrid, sabendo que nunca havia vencido o grande rival, lendo essa manchete. Imaginem ele mostrando isso para Gerrard e Carragher, dois dos maiores scousers do mundo. “E daí? Vamos mostrá-los qual é a desse lugar!”

Precisaram de apenas 16 minutos para descobrir. Pepe deixa um lançamento, aparentemente, despretensioso quicar e subir. Kuyt e Torres pressionam o luso-brasileiro, Kuyt cruza e Torres escora para o gol. Sua comemoração mostrava o sentimento. O garoto feliz e sorridente que corria com os braços abertos em todas as suas comemorações não existia. Nando correu em direção aos torcedores madrilenhos e apontou violentamente para seu nome nas costas de sua camisa, com raiva, com um sentimento de vingança!

“Meu nome é Fernando Torres, isto é Anfield!”

O jogo havia acabado ali e o resto era apenas uma formalidade. Ainda no fim do primeiro tempo, Heinze coloca a mão na bola (o ombro, na verdade, mas…). Steven Gerrard faz 2–0.

No segundo tempo, o capitão marca um de seus gols mais bonitos com a camisa do Liverpool. Ryan Babel faz uma grande jogada pela ponta esquerda e cruza para Gerrard que, de primeira, fuzila o gol de Iker Casillas. 3–0. O Liverpool enfrentava o Manchester United no sábado, então Fernando Torres foi substituído por Andrea Dossena. E o próprio marca o quarto gol. Provavelmente o gol mais saboroso do confronto. Um dos piores laterais esquerdos da história do Liverpool, um jogador genuinamente ruim de bola, fechou o caixão dos maiores campeões da competição. 4–0. 5–0 no agregado. Este é o Real Madrid? E daí?

4 — Liverpool 1–0 Chelsea (4–1 nos pênaltis) — 2006/2007

Liverpool e Chelsea desenvolveram uma grande rivalidade desde a virada do século e os inúmeros encontros épicos em cenário europeu são um dos motivos pelo qual esse jogo é sinônimo de grande jogo.

O Chelsea chegava ao Anfield com vantagem após vencer em Londres por 1–0 e o Liverpool precisava vencer por dois gols de diferença para classificar-se diretamente para a final em Atenas. Uma vitória por 1–0 levava o jogo para a prorrogação.

Aos 22 minutos, o Liverpool abriu o placar após uma cobrança de falta ensaiada. Enquanto a zaga do Chelsea concentrava-se em Peter Crouch, Gerrard cruzou uma bola rasteira para a entrada da área e Agger fuzilou o gol de Petr Cech. Apesar de algumas boas chances para os dois lados, o jogo terminou em 1–0 e o Anfield se preparava para mais 30 minutos de tensão. Dirk Kuyt marcou no primeiro tempo, mas foi marcado impedimento. Didier Drogba esteve a centímetros de empurrar uma bola para a rede e acabar com o confronto, mas o jogo estava destinado as penalidades.

Daniel Agger marca o gol que levou o jogo para os pênaltis

Pepe Reina, então, foi herói. O espanhol defendeu os pênaltis de Arjen Robben e Geremi, enquanto Zenden, Alonso, Gerrard e Dirk Kuyt marcaram para o Liverpool. 4–1. O Liverpool voltava para uma final de Champions League dois anos depois do maior título de sua história.

3 — Liverpool 1–0 Chelsea — 2004/2005

Liverpool e Chelsea já haviam se enfrentado por uma vaga numa final de Champions League antes, dois anos antes, e o herói da noite foi Luis Garcia! O Anfield estava balançando, o barulho era ensurdecedor e esse jogo faz José Mourinho chorar até hoje. O Chelsea havia assegurado o título inglês três dias antes de visitar o Anfield e, após um 0–0 em Londres, qualquer empate com gols dava a classificação para os Blues.

Logo aos 4 minutos, Luis Garcia colocou o Liverpool a frente em um dos gols mais controversos da história da competição. Parte do estádio não comemorou o gol na hora, pois poucos perceberam que a bola entrou no momento e os juízes precisaram de uma mini-conferência para apontar para o meio-campo. Esse gol foi estudado e, fisicamente, pode-se garantir que a bola cruzou a linha.

Luis Garcia e o gol fantasma!

86 minutos de pura tensão depois, o Liverpool estava classificado para Istanbul e, 12 anos depois, torcedores do Chelsea ainda reclamam de tal decisão, a ponto de Luis Garcia se fantasiar de “Ghost goal” no Halloween.

2 — Liverpool 3–1 Olympiakos — 2004/2005

Última rodada da fase de grupos, Mônaco, Liverpool e Olympiakos disputavam duas vagas. Os reds estavam três pontos atrás dos gregos e dois atrás do Mônaco. O Olympiakos lutava apenas por um empate e era comandado pelos brasileiros Giovanni e Rivaldo, enquanto o Mônaco enfrentava o, já eliminado, Deportivo La Coruña.

O Liverpool começou em cima e num espaço de 1 minuto já tinha três escanteios ao seu favor, buscando um gol cedo. Os gregos não cederam a pressão e, aos 27 minutos, Rivaldo colocou os visitantes a frente com uma cobrança de falta. A notícia de que o Mônaco vencia o La Coruña confortavelmente obrigava o Liverpool a virar o placar e fazer dois gols de diferença para ultrapassar o time de Atenas. Ao fim do primeiro tempo, parecia improvável que os comandados de Benítez conseguissem a vaga.

Mas já na volta do intervalo, Rafa levou Sinama-Pongolle a campo, no lugar de Djimi Traoré, e em dois minutos, a substituição fez efeito. Harry Kewell arrancou até a linha de fundo, fez o cruzamento e o jovem francês empurrou para o fundo das redes. O gol deu nova vida para jogadores e torcedores e o Anfield se tornou um caldeirão. Ainda assim, não parecia ser a noite do Liverpool e Steven Gerrard tomou um cartão que o tiraria do próximo jogo, fosse ele na Champions League ou na Copa da UEFA. Aos 63 minutos, o capitão teve um gol anulado por uma falta fora do lance de bola.

Mais uma vez, Rafa entrou em ação e substituiu Milan Baros por Mellor, um jovem atacante, cria da base. De novo, a substituição fez efeito e o garoto virou o jogo, aproveitando o rebote da cabeçada de Nuñez. O Liverpool tinha 10 minutos para buscar um gol salvador que os colocaria na próxima fase.

86 minutos. A bola sobra no pé de Steven Gerrard. 25 metros de distância para o gol. O Anfield explodiu em êxtase. Um gol especial, de um jogador especial, que adiantava o que seria um título especial. O gol que possibilitou o Milagre de Istanbul. E que gol!

OOOOOOH, YA BEAUTYYYYYYYYY!!!

1 — Liverpool 3–3 AC Milan (3–2 nos pênaltis)

Não precisamos falar nada, qualquer coisa é uma desculpa para relembrar esse jogo!