Adam Lallana está de volta aos treinos e pode resolver o problema do meio-campo

Adam Lallana retornou aos treinos com bola e já está em Melwood para os últimos passos de sua reabilitação. Seu retorno é muito esperado e será uma injeção de qualidade extremamente importante ao setor do meio-campo do Liverpool que tem sofrido nesse começo de temporada.

O Liverpool marcou 13 gols em 7 jogos na Premier League e apenas um desses gols foi marcado por um meio-campista que não fosse Philippe Coutinho. Jordan Henderson marcou um gol na vitória de 3–2 sobre o Leicester e os outros 12 foram marcados por Mohamed Salah, Roberto Firmino, Sadio Mané, Philippe Coutinho e Daniel Sturridge.

Estendendo os números para toda a temporada, apenas Emre Can e Trent Alexander-Arnold contribuíram com gols. Foram 22 gols marcados e Salah (6), Firmino (4), Mane (3), Coutinho (3) e Sturridge (1) foram responsáveis por 17. Um desses gols foi contra. Apenas 4 gols não vieram do sistema ofensivo.

Em termos de assistências, os meio-campistas do Liverpool tem duas assistências na Premier League — ambas de Emre Can. Para medida comparativa, David Silva e Kevin De Bruyne tem 11 assistências entre si.

A equipe de Klopp é extremamente dependente do seu quarteto ofensivo, o que acaba colocando muita pressão em quatro indivíduos. Por mais talentosos que eles sejam, não é uma situação confortável e o principal problema fica claro quando um jogador do “fabulous four” está de fora de uma partida.

Leve em consideração, por exemplo, o jogo contra o United. José Mourinho concentrou-se em neutralizar o trio de frente, que continha Philippe Coutinho, Mohamed Salah e Roberto Firmino. A ausência de Sadio Mané fez com que o camisa 10 fosse adiantado para o trio de frente e o meio-campo foi formado por Jordan Henderson, Emre Can e Georginio Wijnaldum. Enquanto separados, cada jogador da trinca do meio-campo apresenta bons valores individuais, mas ter os três em campo ao mesmo tempo torna o time muito previsível, falta criatividade, principalmente contra times que jogam recuados.

Gini precisa de espaço para operar, Emre Can tem o arremate de meia-distância como uma arma, mas só existe uma certa quantidade de chutes que um jogador pode tentar antes de irritar a todos e começar a procurar outras alternativas e Hendo, como primeiro volante, tem o papel de manter a bola girando e tomar decisões inteligentes para reciclar a posse de bola. Mesmo tendo o passe longo e o bom cruzamento para ser mais incisivo — como no jogo contra o Spartak, onde o capitão deixou Sturridge e Firmino em ótimas posições para marcar — , exigir de seu primeiro volante que seja seu principal criador pode muitas vezes significar abrir mão do controle do jogo.

Emre Can perde uma grande chance contra o Manchester United

Nenhum dos três meio-campistas em questão tem armas para ser, constantemente, uma ameaça ao adversário, seja por função ou por característica. Entra, Adam Lallana.

Enquanto o Liverpool sente a falta de um jogador cerebral — alguém como Christian Eriksen, por exemplo — , Adam Lallana é o mais próximo disso no elenco. Coutinho é erroneamente visto como um organizador, sendo muito mais um definidor de jogadas, incisivo, que age por instinto e não necessariamente por ações pensadas. O camisa 20, em contrapartida, é o jogador mais capaz de transicionar a bola entre a defesa e o ataque, podendo avançar com a bola nos pés, aumentar ou diminuir o ritmo de uma jogada e controlar o dinamismo dos movimentos ofensivos. Pode não ser a solução perfeita, mas Lallana é um oásis num deserto de ideias e adicionaria outra dimensão ao meio-campo de Jürgen Klopp que sofre por ser travado, pragmático e unidimensional.