Andy Robertson: O escocês que surpreenderá muita gente
Andrew, ou Andy, Robertson tornou-se a terceira contratação do Liverpool no verão e tem a missão de finalmente resolver a posição mais carente dos Reds nos últimos anos. Com passagens por Queens Park, Dundee United e Hull City, o escocês de 23 anos não é o nome que empolgará os torcedores, mas graças as redes sociais permitirem que todos tenham um lugar para dar sua opinião, muitos torcedores já julgaram e deram seu veredito sobre um jogador que nem vestiu a camisa do clube dentro de campo.

Um dos grandes problemas de torcedores dessa geração é presumir que não existem bons jogadores em times de baixo escalão. Em 2014, Ryan Bertrand e Alberto Moreno foram linkados com o Liverpool. Um vinha de um empréstimo sem muitos frutos com o Aston Villa e o outro havia acabado de ser campeão da UEFA Europa League pelo Sevilla. Ryan Bertrand era um jogador que Brendan Rodgers conhecia muito bem, tendo trabalhado com ele nas categorias de base do Chelsea, mas boa parte da torcida decidiu ignorar isso e focar, unicamente, em 12 meses ruins num clube que brigou para não cair e jogava num sistema negativo. O Liverpool acabou por contratar Alberto Moreno e Bertrand rumou ao Southampton. Caso Ryan fosse oferecido ao Liverpool hoje, muitos torcedores o escolheriam até mesmo para substituir Andy Robertson.
Bertrand se beneficiou jogando num clube de sistema mais progressivo e que potencializava suas principais características. O mesmo pode ser dito sobre Andrew Robertson. Após a chegada de Marco Silva no Hull City, o clube foi revitalizado e renasceu na última Premier League, brigando para manter-se na primeira divisão do futebol inglês até as últimas rodadas. Antes comandados por Mike Phelan, o Hull jogava um futebol extremamente negativo e, ainda que o escocês conseguisse se destacar esporadicamente, Robertson era muito prejudicado e acabava por ficar preso e suas principais qualidades sub-utilizadas.
Andy Robertson é um lateral competente defensivamente, mas é no seu apoio ofensivo que ele realmente se destaca. No Dundee United, principalmente, isso ficou claro. Quase nenhum torcedor do Liverpool acompanhou o que acontecia na Escócia na temporada 13–14, pois estávamos ocupados vendo Luis Suárez, Gerrard, Sturridge e Sterling passarem como um rolo compressor sobre (quase) todos os seus adversários. Mas, graças a Roy Henderson, do The Anfield Wrap, podemos ter um insight melhor do tempo de Robertson na SPFL.
Segundo Roy, torcedor do Liverpool e do Dundee, a equipe escocesa surpreendeu a todos com um futebol cheio de energia, velocidade, movimentação inteligente e liberdade para se expressar no último terço do campo. O Dundee, mesmo com um orçamento menor, era capaz de vencer convincentemente times considerados melhores. Parece familiar?
Nesse sistema progressivo, um garoto de 19 anos na lateral esquerda se destacava. Esse garoto foi eleito o jogador jovem da temporada e esteve no time ideal do campeonato. Com velocidade, passes incisivos, cruzamentos precisos e coragem para chegar a área como elemento surpresa, com e sem a bola, esse garoto era capaz de ditar o jogo mesmo jogando como lateral. Suas penetrações em espaços vazios chamava a atenção, sua capacidade de carregar a bola a frente e bater seus defensores no 1vs1 faziam dele uma arma ofensiva que tornou-se chave na campanha surpreendente do Dundee.
Todas essas características parecem familiares? Bom, é tudo que Klopp precisa de um lateral e tudo que Milner e Alberto Moreno não foram capazes de prover. Milly fez um trabalho admirável jogando fora de posição, mas sua tendência de SEMPRE cortar para a perna direita e procurar um cruzamento para o meio da área tornou o ataque pelo lado esquerdo do campo extremamente previsível e fácil de marcar. Robertson, no entanto, é imprevisível com a bola. Ele pode cortar para o meio procurando um passe, pode levar a bola até a linha de fundo e criar uma oportunidade num cruzamento ou simplesmente invadir a área com a bola nos pés e finalizar para o gol.
Com todas as características necessárias para funcionar num sistema de jogo progressivo como o do Liverpool, julgar Andrew Robertson por simplesmente vir de um clube rebaixado é injusto e, honestamente, idiota. O garoto pode muito bem acabar não dando certo por N motivos, mas por hora, o escocês é uma ótima contratação e tem tudo para se provar um sucesso em Merseyside.
Ian Rush, Henchoz, Crouch e, mais recentemente, Gini Wijnaldum são só alguns exemplos de que não importa de onde um jogador veio, desde que ele seja um jogador e se encaixe no clube, então julguem o desempenho do nosso novo lateral em campo, pois ele pode — e irá — te surpreender muito.
