Liverpool e a luta contra a homofobia

Hoje comemora-se o Dia internacional do orgulho LGBT e a cidade de Liverpool tem uma história entrelaçada com a briga pela igualdade e a inclusão social. Os times de futebol da cidade estão incluídos nessa missão e Liverpool e Everton são clubes conhecidos por atitudes pioneiras na luta contra a homofobia no futebol e na sociedade.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Liverpool, uma cidade portuária, era considerada o principal porto do Império Britânico e, com isso, mercadorias e refugiados eram estocados na cidade. O sentimento de “quase-morte” levou a população a “viver o momento” e uma aceitação um pouco maior de homossexuais começava a se desenvolver, assim como uma cultura de bares e pubs onde o público LGBT encontrava refúgio. Logo, uma pequena vila gay se formava.

Ainda assim, o “homossexualismo” era visto como uma ofensa criminal e tais grupos eram aconselhados a “manterem-se discretos” em público. Os policiais, no entanto, eram mais tolerantes quanto a “violações”. Apesar da relativa aceitação, ser gay ainda era sinônimo de imoralidade e até mesmo artigos sobre homossexualidade eram acompanhados de termos como “perversão” e “doença”.

Durante as décadas seguintes, a cidade de Liverpool conseguiu grandes avanços em termos de igualdade e, geralmente, foram pioneiros em muitas ações. A novela Brookside, gravada em Liverpool, foi a primeira a levar a TV um personagem gay e um beijo lésbico, em 1985 e 1994, respectivamente. O primeiro casamento gay a ser televisionado para o Reino Unido foi ao ar ao vivo em Albert Dock, em 2001. No entanto, ainda existia uma crítica: Liverpool era a maior cidade da Inglaterra a não sediar um desfile, conhecido por nós como a parada gay. Existiram tentativas em 1979 e durante os anos 90, mas por N motivos, os desfiles não foram para frente.

Em 2010, a primeira edição do “Liverpool Pride” era realizada.

Tudo isso mudou em 2010, com a primeira edição do Liverpool Pride, em resposta a morte do jovem de 18 anos, Michael Causer, vítima de um ataque homofóbico em 2008, ano em que a cidade de Liverpool havia sido eleita a capital europeia da diversidade cultural e ao ataque a um policial em 2009, onde o mesmo foi atacado por cerca de 20 jovens quando deixava o serviço.

Numa votação por 74 a 2, em 28 de janeiro de 2009, o Conselho da cidade aprovou a realização do evento.

Liverpool FC, em 2012, apoiando o Liverpool Pride.

Em 2012, o Liverpool FC tornou-se o primeiro clube da Premier League a ser representado oficialmente em um desfile do orgulho LGBT.

Ian Ayre, na época diretor de operações do clube, disse: “Nós continuamos a demonstrar nosso comprometimento que a igualdade e os princípios de inclusão social estejam espalhados pelo clube e, por muitos anos, temos feito muito progresso em promover nossa posição contra a homofobia, dentro e fora do campo. O evento é uma excelente plataforma para atrair diversas comunidades e pessoas para vivenciar a diversidade cultural de nossa maravilhosa cidade.”

Em 2013, o Everton FC foi o primeiro clube a utilizar cadarços com as cores do arco-íris para promover uma campanha anti-homofobia.

O apoio do Liverpool FC ao Liverpool Pride tornou-se algo anual, assim como o evento, que é situado em Stanley Street Quarter, conhecido até hoje como ponto de encontro de LGBTs.

A Premier League, agora, tem uma rodada onde os capitães de todos os clubes utilizam uma braçadeira e os cadarços com as cores do arco-íris.

Existe ainda, os “Kop Outs”, que representam a torcida organizada LGBT do Liverpool FC. O nome deriva do termo “Kopite”, que é um torcedor do Liverpool representante da Spion Kop, e “Out” que significa “fora”, como na frase “Out of the closet”, que é o termo utilizado para quando alguém se assume homossexual (o equivalente ao “Sair do armário” no Brasil).

Os Kop Outs!

Liverpool Pride 2016

A cidade de Liverpool, assim como seus clubes, continuam a brigar por causas sociais e, no Dia Internacional do Orgulho LGBT, podem se orgulhar de todas as suas contribuições para a sociedade. Viva a diversidade!