Um aviso para a liga: Nós somos bons. Muito bons.
Isso parece ser uma constatação do óbvio, mas se alguém ainda tinha dúvidas, o jogo de hoje é mais do que capaz de saná-las. O Liverpool é muito bom. Se somos bons o bastante, só o tempo vai dizer. É muito provável que não, para ser honesto, mas estamos muito mais perto do que muitas pessoas — inclusive nossos torcedores — imaginam. Esse time precisa de uma ou duas contratações certeiras para fazer a transição da briga pelo top four para a briga pelo título. Temos 5 dias para isso. Mas depois da apresentação de hoje, chega a ser injusto falar sobre outros nomes senão os que entraram em campo e atropelaram o Arsenal.
Com tanta negatividade sobre a janela, é fácil deixar de levar em consideração o quão bom é esse grupo de jogadores. Você pode não gostar de certos indivíduos, é um direito. Você pode não gostar do Lovren — Eu, pessoalmente, não gosto — , pode odiar Alberto Moreno — Eu, particularmente, tenho um ponto fraco por Albie — , pode não querer ver Mignolet pintado de ouro debaixo das traves, mas acreditem, esse é um time MUITO bom. No campeonato mais disputado do mundo, foram eles que levaram o clube a Champions League após 38 rodadas. Eles terminaram o trabalho no meio da semana contra o Hoffenheim. Eles. Não os outros reforços que queremos pro lugar deles. Podemos encontrar um zagueiro muito melhor que Lovren e Klavan? Certamente. Mas eles são zagueiros de time de top four, com todas as suas falhas, fraquezas e problemas, isso é um feito que eles, não os zagueiros melhores que eles — e que queremos pro lugar deles — conquistaram e ninguém pode tirar isso deles.
Podemos não ser bons o bastante para chegar até o fim da linha, mas somos melhores que a maioria dos times dessa liga. Somos melhores que o Arsenal em qualquer setor, com exceção do gol. Do zagueiro ao treinador, nós somos melhores. Muito melhores. Esse é um time que terminou apenas um ponto atrás de nós na última temporada e se reforçou, para muitos até melhor que a gente, na janela. E nós os destruímos. Por 90 minutos, fomos superiores. Muito superiores. Eu não trocaria nossos jogadores pelos deles. Nenhum. Alexis Sanchez é um World Class e somaria em qualquer time do mundo, Giroud e Lacazette são atacantes que seriam úteis na maioria dos elencos mundo afora, mas eles simplesmente não são melhores que os nossos. Sadio Mané parece destinado a brigar pelo Player of the Year, Mohamed Salah parece jogar a anos com seus novos companheiros e Roberto Firmino parece imparável no momento. O ataque é o setor onde o Arsenal mais se assemelha ao Liverpool e eles ainda não são melhores que a gente. Nós somos bons! Apreciem isso!

Seus meio-campistas não entrariam no nosso time de forma alguma. Jordan Henderson nem precisou fazer um jogo ótimo para ficar claro o quanto ele é melhor que Xhaka. Philippe Coutinho nem deve ter visto o jogo enquanto pensa em seu futuro, deitado em posição fetal — para não machucar as costas — abraçado com uma foto de Lionel Messi e, de alguma forma, o brasileiro conseguiu jogar melhor que Mesut Ozil hoje! Georginio Wijnaldum e Emre Can atropelaram Aaron Ramsey e Coquelin. Por todas as críticas feitas ao Lovren, Rob Holding nem ameaçaria seu lugar no time titular.
O Arsenal é um dos times que devia nos ameaçar pelo top four e nós provamos hoje, como já havíamos provado duas vezes na temporada passada, que estamos muito a frente deles. Somos um time 15 pontos melhor que o deles. Somos capazes de performances como a de hoje muito mais regularmente do que eles conseguiriam apresentar. O placar de 4–0 não faz jus ao que foi o jogo! Petr Cech evitou que o time londrino voltasse pra casa com 7 ou 8 gols na conta.

Joe Gomez é a terceira opção do elenco para a lateral direita e lidou com Sanchez e Lacazette muito bem, além de participar dos dois primeiros gols. Alberto Moreno, que muitos querem ver longe daqui, fez um grande jogo onde foi muito exigido, inclusive se destacando em aspectos que são fraquezas do seu jogo. Os únicos momentos de perigo do Arsenal no jogo foram quando nosso goleiro decidiu que iria dormir com a bola nos pés.
Considere o time ideal do Liverpool sendo: Mignolet, Clyne, Matip, Lovren, Robertson, Henderson, Wijnaldum (Emre Can), Coutinho, Salah, Firmino e Mané. Esse time não foi a campo uma única vez! Coutinho e Clyne nem estrearam na temporada. O reserva de Clyne só fez um jogo na Premier League. O reserva do reserva do Clyne fez dois jogos e poderia ter sido Man of the Match nos dois! Isso é profundidade de elenco, o que temos pedido o verão todo! Daniel Sturridge saiu do banco para contribuir ao placar. Imagine você, zagueiro do Arsenal, após 75 minutos perseguindo Salah e Mané, vendo um dos atacantes mais precisos da liga entrando em campo. Alguém que você não pode dar o mínimo de espaço, mas sabe que eventualmente não conseguirá acompanhá — lo, pois aqueles velocistas sugaram toda a sua energia e você simplesmente sabe que não tem mais gás para lidar com outra ameaça, novinha em folha. Essa é a opção para mudar o jogo que tanto pedimos!

Então, sim, temos problemas. Sim, ainda há muito trabalho a ser feito. Sim, ainda somos um projeto em andamento, mas nós já somos muito bons e o fato de ainda existirem aspectos a serem melhorados mostra o quão especial esse time pode vir a ser com o tempo.
A primeira data-fifa chegou e, com ela, temos tempo para descansar e avaliar o que pode ser da temporada. Um começo que poderia ser desastroso por todo o clima fora de campo transformou-se em algo muito promissor. 7 pontos em 9 disputados na liga, fase de grupos da Champions League com um grupo acessível e a janela ainda aberta para reforçar o elenco. Até o dia 31 saberemos se temos potencial para sermos bons o bastante ou não. Nesse meio tempo, nos basta aproveitar e apreciar o bom time que temos, pois, independente da nossa briga essa temporada, tenha certeza que será muito divertido acompanhar o que esse grupo de jogadores é capaz de fazer.
