Seja bem-vinda, Tristeza

Imagem do filme Divertida Mente da Disney

Estava triste. Não por circustância, mas estava, sem sombra de dúvidas triste. Eu sentia e percebia a tristeza. Era real, não tinha como não ser. Ela me cutucava de momento em momento como quem lembra alguém de sua presença. Não podia ir. Não enquanto não cumprisse sua função.

Como de costume, resolvi refletir sobre o porque daquela tristeza. "Ora, tenho tudo que preciso. Sou uma mal agradecida mesmo. Devo estar me sabotando, só pode. Não tem outra explicação". Era tudo que conseguia pensar. E quanto mais eu brigava com aquela sensação mais presente e incomoda ela se tornava.

Para mim, naquele momento, haviam apenas duas opções: ou lutava contra aquele sentimento e me fazia entender que aquela tristeza estava fora de lugar ou era condescende e me entregava a ela.

Por fracassar na primeira, não me restava opção a não ser me entregar a tristeza. Então, assim o fiz.

Me entregando a tristeza

Me dei o aval, estava liberado ficar triste. Peguei a tristeza, uma coberta e me enrolei. Não queria fazer nada, nada mesmo. Estava disposta a ficar triste na intenção de que em algum momento aquela tristeza se esgotasse, como se fosse possível chorar e lamentar toda ela até que não restasse nem mais uma lágrima para contar história.

Passaram-se alguns dias e nada dela ir embora. Passaram-se alguns outros e juntou-se a tristeza a culpa. Um combo perfeito para um dia frio e cinza. Andava um passo voltava dois. Andava um passo voltava dois. Não estava funcionando! Mais uma vez precisava mudar a minha estratégia.

Lembrei-me de um infográfico que havia produzido para o Muda sobre o Papel das emoções. Reli o que tinha escrito "… auxilia na introspecção, elaboração e integração das experiências através da introversão." fazia sentido. Precisava refletir sobre alguma situação que gerou aquele sentimento para dar sentindo e ressignificar a experiência causal.

Parecia lógico, mas ainda assim não vislumbrava o próximo passo.

Sincronicidade e confiança

Sincronicidade é a realidade sempre presente para aqueles que têm olhos para ver. — Carl Gustav Jung

Um boa dose de paciência e confiança faz bem para todo mundo. A sensação de que as coisas acontecem na hora certa não é um aval a condescendência e sim uma posição de humildade frente a imensidão e complexidade do universo. Apostei nela e fui pouco a pouco lidando com a situação que se expunha com o que sabia e aberta para o que ainda não sabia.

Como vem acontecendo, na hora certa, de forma despretensiosa vislumbrei a resposta que procurava.

Era uma segunda-feira, não estava conseguindo produzir. Então, alterei do modo produção para o modo aprendizado e resolvi assistir a qualquer vídeo no YouTube na intenção de expandir a minha perspectiva. O vídeo que encontrei chamava "How to heal the emotional body" e o que a protagonista do vídeo trazia não era de tudo novo mas naquele momento eu estava pronta para receber aquele aprendizado.

Onde falhei

Tendemos a estar intimamente identificados com o nosso racional, o que pode ser facilmente entendido se examinarmos a obsessão do ocidente com a mente humana. Entretanto, não somos só a nossa mente. Olhando de um ponto de vista holístico e pouco convencional somos compostos de, além de uma mente, um corpo físico e um "corpo" emocional.

De um ponto de vista evolutivo nosso cérebro racional foi uma grande conquista para nossa espécie. Ele adicionou a mente humana a capacidade de criar estratégias, planejar a longo prazo, pensar sobre arte, cultura e civilização. Não obstante, é ele a principal forma pela qual procuramos entender o mundo.

Longe de mim querer diminuir esse "sentido" humano que é a mente, mas a grande sacada aqui é que assim como a mente humana tem seu mecanismo de funcionamento e suas próprias regras, as demais partes de nós também têm, e é por isso que muitas vezes, mesmo entendendo (racionalmente) que não há motivos para ficar triste (ou com raiva, ou com medo), ficamos.

Minha falha em entender minha tristeza veio da minha limitação em tentar entende-la usando a minha mente quando, na verdade, a "linguagem" que deveria ter sido usada não era a da razão e sim a da emoção.

Indo de encontro as emoções

Guarde todos os argumentos para com você mesmo. Iremos usar-los mais adiante. Por agora, seu único objetivo é estar presente e acolher esta emoção. Entenda que as "emoções" não são ruins e nem estão contra você. Em algum momento elas foram e ainda serão importantes para sua sobrevivência e bem-estar.

Se você quer aprender a efetivamente utiliza-las, terá que as acolher, deixar se expressar e estarem presentes. Integre esta emoção a quem você é. Só assim você poderá usa-las a seu favor.

Abordado de forma mais prática, na próxima vez que sentir medo, angústia, solidão, tristeza, raiva, ciúmes, alegria ou qualquer outro sentimento, sua primeira e única missão é estar presente com aquela emoção. Feche os olhos, inspire e expire pelo nariz sem pausas. Esqueça sua mente. Ela não vai, nem pode te ajudar neste primeiro momento. Esteja com a emoção, por mais incomoda que seja. Respire-a e vá até onde der conta.

Neste estado, se faça três perguntas:

  • O que estou sentido?
  • Quando foi a última vez que experienciei este mesmo sentimento?
  • Quando foi a primeira vez que experienciei este sentimento?

Não se preocupe em formar respostas em sua mente. Deixe que elas venham naturalmente. Se nada vier, tenha paciência e confie que as respostas virão na hora certa. Perceba, entretanto, como você se sente durante e após a prática.

É preciso dar fluidez para as nossas emoções e entrar em contato deixando que se mostrem, e ai sim, depois disto, usar a nossa racionalidade para criar estratégias e diálogos internos que permitam uma gestão emocional cada vez melhor, sentindo, dando vazão e resignificando.

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