
Carnaval em SP, 2017
Mulher jogada na rua, desmaiada sobre um canteiro nos fundos do Caetano de Campos, na República.
Pelo volume, bebe tanto quanto eu sou capaz de beber, mas venho do interior e sou pelo menos dez anos mais velho. Os amigos dela conversam a dois passos, como se discutissem o que fariam mais à noite.
Outra mulher mija na esquina. Duas amigas ao lado. Apoio? De cócoras, nem precisa levantar a saia curta.
Amigos e amigas gritavam o nome dela, chamavam para o ponto atrás da banca de jornal, onde teria mais proteção para mijar na rua.
Na quadra de casa, um homem se encolhe no falso vão entre dois edifícios. Há rios na calçada. Sobe um aroma de guaraná Antarctica, mas não tenho esperança de que os rios não sejam de mijo.
Minha irmã disse no início da tarde que gosta de ver a cidade tomada pelas pessoas. Também gosto.
Mas o guaraná não me engana.
