Não só gosto do Schiele, mas essa imagem já foi uma ideia para a capa do meu livro: http://editoradraco.com/2012/03/07/quero-dancar-ate-as-vacas-voltarem-do-pasto-marcelo-ferlin-assami-2/

Do respeito ao leitor: limites do layout, opiniões no lugar de conclusões, formas grosseiras

Frankenstein é o doutor e o mundo conhece o nome pela criatura.

Que dizer de quem constrói parágrafos longos demais para o leitor da internet?

Você não terminou o debate com um argumento e o escritor já disparou uma série de expressões retiradas de outros textos, às vezes só para pontuar dados e informações, às vezes para empurrar uma opinião.

Além de ser falta de respeito tentar justificar opiniões com dados e informações, é de uma preguiça atroz. Há também esse descaso com o leitor.

Opiniões não precisam de justificativas; mas conclusões, sim.

E além de construir parágrafos enormes para se ler na tela, não se preocupa com os limites do layout do site. Não tem, por exemplo, o cuidado de abrir espaços entre os parágrafos.

E há a grosseria da forma, como listas.

Sete perguntas, dez leis, quatro regras, quem inventou esses números? A conveniência do escritor ou do editor. Qual a validade delas? Quase nenhuma. Por quê? Porque números contêm significados, sugerem ordens. E dei o exemplo de números significativos, como 4, 7 e 10. E o texto que chega com 6, 9 ou 12 corre um risco ainda maior.

Mais grosseira é a lista de sim e não ou de como agir, faça isto, evite fazer aquilo. Podem ser dicas, mas a menos que sejam dicas de trabalhos especializados, como dicas do boleiro, do revisor, da enfermeira, são apenas formas má educadas de dizer que o leitor é burro, inepto, ignorante ou desajeitado.

O leitor pode ser tudo isso, e geralmente é, ou seria escritor e não leitor, mas é redundante ser lembrado disso e, pior, ser insultado. Ler já é esforço suficiente, não precisamos do paternalismo nem da condescendência.

Ao longo da História, inclusive brasileira, muitos já disseram que se é preciso mais de duas páginas para provar algum ponto esse ponto é furado. Vale o mesmo para o ensaio longo ou para o post longo, mesmo de parágrafos curtos.

Explicações podem ser longas, porque precisam ser didáticas. Argumentações, não.

Não só eu tenho a desconfiança de que certos leitores têm tanta dificuldade de compreender que não compreende nem que são leitores, mas agem como escritores. Vão para a internet escrever textos imensos, sem cuidado e sem respeito.

E agora começa a fazer sentido aquele clichê de que o bom escritor é um bom leitor.

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