
Fake news só existe porque existe fake reader
Vivo num país que lê pouco e escreve menos ainda. Poucas livrarias. Escritores insuficientes, inclusive quando publicados.
O jornal costuma apresentar reportes de como vai mal a capacidade de leitura, a quantidade de livros lidos pela população, a saúde financeira de editoras e livrarias.
Ao mesmo tempo, o povo reclama de fake news, notícias falsas divulgadas pela internet e certas manipulações marotas por portais de notícias e jornais em papel, na TV ou mesmo na rede.
E o povo também reclama de fanfic de social justice warriors (os totalitários “do bem”). E de qualquer historinha criada e postada para lacrar e ganhar like.
Hipocrisia. E da grande.
Porque se você não paga para ler e não tem o hábito de ler, é óbvio que a ficção vai se jogar no seu colo.
Sério. Mesmo. Se as pessoas lessem mais um pouco, mesmo sem escrever, não ficariam tão melindradas com fake news. Não teriam chilique.
Texto é texto, é feito de palavras. Qualquer texto pode ter mais Photoshop que qualquer fotografia.
Algo óbvio o que se pode dizer do uso da expressão fake news: é uma expressão inventada para esconder o crescimento galopante e relinchante de fake readers.
Sou caipira, sou jacu, venho do mato, mas nunca esperei verdade num texto, vindo de graça ou me fazendo tirar o escorpião do bolso.
