Keats: um reclame das antigas

Marcelo Ferlin
Jul 21, 2017 · 2 min read

Às vezes eu me esqueço de como Keats pode ser uma descoberta pequena ou breve na vida do leitor. A breve ou pequena “grande descoberta”.

Keats parece também a professorinha que botou o caboclo nas primeiras letras. E depois o caboclo foi se encontrar em algum ponto do riacho, Chaucer abaixo, Hill acima.

Tão comum e corrente que me esqueço do prazer que foi descobrir Keats.

Tão fácil também me esquecer de como às vezes essa descoberta nem foi na língua do poeta.

Aliás, meu caso, vi versos bem traduzidos, que na época achei bem traduzidos ou que carregavam o suficiente do poeta ou da poesia para seguir adiante e procurar mais. E procurei mais.

E depois fui descobrir Keats também em inglês. E daí nunca voltei aos versos traduzidos iniciais para conferir o que havia neles.

Mas sei que a tradução não ajuda só o tradutor. A tradução não só apresenta ou relembra e reapresenta nomes e versos, ela, num chavão cuja autoria me foge, poliniza a língua que a recebe.

Também há o esquecimento fácil de quem hoje lê os poetas em suas línguas de origem e não pensa mais na tradução. Se quem já lê no original nada perde quando surgem traduções das línguas que domina, ainda assim pode ganhar com o trabalho de um novo par de olhos bilíngues sobre a obra e o efeito dessa tradução entre os falantes.

E aí aparece pela editora Anticítera a tradução do Wagner Schadeck.

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Marcelo Ferlin

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A parte KitKat deste latifúndio.

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