O chato das frases feitas 007: “resta saber” e a expulsão dos monstros (sai) Bacomo e (sai) Batudo

Dois monstros terríveis do início da internet comercial (WWW) no Brasil foram o Bacomo e o Batudo.

Eram tão ubíquos que portais e imprensa os temiam a ponto de escrever quase todo dia chamadas com “Sai, Bacomo” e “Sai, batudo”.

Obviamente, as matérias de “saiba como” e “saiba tudo” algumas vezes davam mesmo o como, mas nunca o tudo.

As hipérboles ainda são o monstro da comunicação pública e comercial. E restou uma frase que é mais antiga, que vem da melífluo português da crônica policial, da coluna de fofoca e da coluna dos mexericos políticos, não raro disfarçados de editorial (não só do Estadão), o: “resta saber”.

Resta saber sugere que uma linha investigativa ou argumentativa foi exaurida e sobraram algumas pontas ou mistérios a serem desvendados.

Mas é usado como modo para deixar de lado tudo o que foi dito, dizer pro leitor “esqueça o que escrevi” e “o que importa mesmo, o que eu queria dizer, é o que vai a seguir”.

É dos recursos mais antigos que os romanos e os gregos da arte da retórica. E bem usado cobre todo tipo de truque erístico, da petição de princípio ao non sequitur bravio.

E sendo melífluo, insidioso, não trombeteia como o bacomo e o batudo. Mas está lá, à vista de qualquer um, na língua bífida do mexeriqueiro.

E agora vejo que já é o sétimo post do chato. Mas vai ser mala na puta que pariu.