“O outro pé da tua meia, humano maluco? Pois é, também vim aqui procurar. Se não estiver na máquina de lavar foi o duende de novo.” — Gonzalez

O que me deixa maluco: a tara pelo equilíbrio

O que me deixa maluco é que toda forma de pensamento baseado em equilíbrio (comportamento estacionário) sempre chega ao irracional.

(Sim, estou usando equilíbrio e estacionário em conjunto. Devia explicar. Etc. Etc.)

Animais são excitáveis. Muitos. Quem sabe a maioria. Se você excita demais um cão ele morde qualquer coisa e até trava a mandíbula. Com o ser humano é a mesma coisa.

Com a natureza é a mesma coisa, o mesmo comportamento canino.

E daí o caboclo chega à mesma e única conclusão: a natureza, o ser humano, a realidade e a própria razão são irracionais.

Mas vá tomar no cu.

Vá tomar no cu de barquinho.

E aqui nem entramos na bobagem de quem confunde racionalidade com o discursivo, apesar dos claros limites de qualquer parada discursiva.

E faz mais de um século que se continua pensando em termos de equilíbrio e se continua chegando em desequilíbrio.

E toda vez que alguém sugere, e de leve, que seria bom tomar outros pontos de partida, algum iluminado anuncia uma nova crise e um novo esgotamento de paradigmas.

Mas, poxa vida. Etc.

A criança aceita isso na escola, aceita na faculdade e até na pós.

Mas depois de décadas vendo a mesma palhaçada, o mesmo tipo de raciocínio com as mesmas premissas chegar à mesma conclusão, fica difícil engolir a patacoada.

Em vez de ser um término a velha história de que Galileu, Darwin, Freud, Nietzsche, Sílvio Santos escancararam a irracionalidade da existência, isso devia indicar um retorno ou curva ou pelo menos um novo ponto de partida.

Um adendo: um modelo de equilíbrio que faz sentido

O saudoso DGR no blog Saudades do presidente Figueiredo apresentou um modelo de equilíbrio que fazia sentido, numa metáfora de gases e sentido.

Podemos supor um recipiente em que o gás do sentido é introduzido.

Naquele recipiente quase nada fazia sentido. Aí entra o gás. E aos poucos surge o sentido, algumas partes do recipiente fazem mais sentido que outras.

Em algum momento o gás atinge um equilíbrio dentro de recipiente, e com isso se dará esta constatação: locais onde havia pouco sentido agora têm mais sentido e locais onde havia muito sentido agora fazem menos sentido.

O DGR não disse, mas essa última conclusão parece um exemplo do campo da Física nos últimos 100 anos.