Fulgêncio e Teobaldo, melhores Capuletos.

Opinião, fantasia e impotência

Tanta gente tentando ainda se convencer de que a opinião não é uma expressão de fantasias e a que a fantasia não é sinal de impotência.

Aliás, parte considerável do que se chama revolução sexual não passou disso, hipnose em massa, jogral de protesto do ensino médio, ação de universitários, essas cenas que tanto enchem o saco e nos entediam pela TV.

Das crianças toleramos mais fantasias porque elas são mais impotentes.

Plot twist: se as pessoas estão infantilizadas é porque elas perderam poder, que é sempre político, autonomia e a própria consciência dessa perda.

A própria reflexão a respeito da moda de soltar opiniões pela internet logo se torna uma discussão e descamba em formas de perseguição.

Perceber que as pessoas estão infantilizadas vira a senha para o moralista discurso de mandar calar a boca e o sermão de apontar o dedo para a pessoa, para ela deixar de ser infantil. Ou seja, mais um “cala a boca”.

Não só porque a vítima é vista como culpada, há falta de inteligência também.

E isso é indicação de que o problema é geral, social mesmo.

Uma pessoa inteligente chegaria à conclusão de que a infantilidade na rede é sintoma da falta de poder e da falta de autonomia, então, teria de lidar com a noção de que apontar o dedo e criticar não resolve nem ajuda.

É possível apontar que se as pessoas podem falar os absurdos que sentem e pensam, isso ocorre porque nossos donos, as autoridades, permitem, porque nos tratam como crianças, como incapazes, impotentes.

Nossos donos também podem contar que parte do povo irá vigiar, caçar e censurar os mais reclamões, os mais chorões. Eles contam com isso. E é possível apontar a necessidade de conquistar o poder retirado e a autonomia perdida.

Mas por que a pessoa inteligente não chega a esses pensamentos?

Porque também está presa ao sistema, também sempre político? Ela também está sem autonomia, só consegue latir para os outros, tão impotentes como ela. Talvez. Ela também está infantilizada, e como a criança, só consegue bater em quem está visível, e só consegue expressar sua frustração pela crítica contra os outros na mesma situação. Talvez.

O limite da inteligência é dado pelo limite da imaginação. Se você não consegue imaginar onde está o verdadeiro responsável, só vai conseguir bater em quem está do seu lado, na mesma situação que você, e ainda vai usar a inteligência que sobra para justificar a violência contra o semelhante.

Aquele ditado do diabo nos convencer de que não existe é o princípio em operação aqui. Se você não sabe que tem dono, não tem como se libertar.