Michael Manning sempre disse que Crepax foi uma de suas inspirações.

Resenha de Valentina 66–68

Freud explica Valentina e Guido Crepax explica Freud.
Resenha do álbum Valentina 66–68, do Guido Crepax, publicado pela Conrad.
Resenha para o Guia da Rolling Stone brasileira (11 de outubro de 2007).


Sexo e inconsciente, duas das melhores idéias de Freud, estão nos quadrinhos. Na Valentina, que a Conrad está publicando na ordem cronológica, o italiano Guido Crepax se revelou o leitor mais fiel do pai da psicanálise. Valentina é um das raras obras em que a fantasia e o inconsciente tornam-se parte integral e às vezes essencial da história.

A narrativa fragmentada, com justaposições e colagens inspiradas na arte moderna e no cinema, desenrola-se em três planos: a realidade externa, os sonhos e recordações de Valentina e suas fantasias, quase sempre eróticas, de teor sadomasoquista.

Valentina Rosselli, todos sabem, é fotógrafa de moda, mulher liberada, independente, com simpatia pela esquerda e um corte de cabelo, entre outras coisas, inspirado na atriz Louise Brooks. Surgiu como namorada do crítico de arte e super-herói Philip Rembrandt, na série Neutron, e logo roubou o título e se tornou a personagem principal.

O primeiro volume, Valentina 65–66, lançado em 2006, cobria o período 1965–1966 e vinha numa caixa de acrílico. Valentina 66–68 tem uma sobrecapa origami que se desdobra em um pôster duplo, e reúne as histórias que se passam logo depois do episódio “Os Subterrâneos” e inclui o material do álbum Valentina de Botas, publicado pela LPM nos anos 80. E finalmente já aparecem seqüências inéditas para o leitor brasileiro.


De volta à crítica.
Esse é outro exemplo de resenha, como a do Chico Buarque e a do Coetzee.
O objetivo é apresentar o produtor e seu contexto para o leitor da Rolling Stone.
Não há espaço para discussão do valor, do estilo ou para o vício brasileiro da interpretação da obra e do artista.


Ainda na Valentina.
Nunca foi publicada na íntegra no Brasil. Aliás, tem um histórico de tentativas, da Grilo à Conrad, passando pela L&PM e outras editoras e revistas.
Mas foi até tese, que virou livro.
E quem sabe a publicação, finalmente, da Valentina completa nos Estados Unidos, pela Fantagraphics, anime outra editora brasileira a publicar tudo por aqui.