O louco por Lee é um modelo?

Taras públicas ganham outros nomes

Militância é um desses nomes?

Há um ramo de puritanismo na cultura recente, nas várias culturas, que infelizmente tira da vida social o comportamento dos tarados.

O velho que reclama das saias curtas e ao mesmo tempo não deixa de olhar para elas? Esse é o eco do tarado clássico.

O comportamento típico de alguém com tara: não sabe lidar, não sabe se admira ou se repudia, critica e gosta, gosta e denuncia, vigia os outros e pratica.

Esse comportamento se parece com o de certos militantes que esperam empatia total e exposição total, ou seja, que você compartilhe na rodinha ou em público sua história de abuso, e ao mesmo tempo esperam que você coloque avisos (em português, “trigger warnings”) para não ferir ainda mais as sensibilidades.

Expulsar o comportamento dos tarados da vida pública nos livrou de certo aprendizado. E hoje faz falta.

Porque toda hora aparece quem não sabe mais como se livrar dos tarados que se disfarçam de militantes nem dos militantes que agem como tarados.

Chame um militante desse naipe à verdade e aos fatos e talvez você seja acusado de ser qualquer coisa (e a palavra é mesmo coisa) que o militante seja contra.

Lógica, fatos, verdade, ciência, raciocínio, tudo são elementos do rótulo que o militante vai tentar colar em você, porque a verdade costuma ser a arma do opressor. (Opressor é palavra que merece um texto à parte. Quem sabe um dia.)

Outro lado do puritanismo é a própria noção de militância.

Espera-se pureza e coerência. Mas se você joga fora a lógica, a ciência, os fatos, a verdade e o raciocínio, então pureza e coerência se tornam expressões de adesão, adesão ao que o círculo interno do grupo de militantes acha que vale, que é o certo.

Pessoas algo mais velhas, que já passam dos 60, até se espantam que seja assim. Mas são velhas o suficiente para saberem que isso não é deturpação da militância, mas o resultado natural dessa estrutura de vida social. Se você favorece a criação de alvos, você vai virar alvo.

Na defesa de uma causa tudo corre o risco de se tornar combustível e alvo.

E quanto mais o raciocínio é movido pela sensação, quanto mais o sentimento se torna mais importante que a razão e o resultado, mais rapidamente argumentos e pessoas são jogados na fogueira.

E é por isso que se recomendava a só abrir a boca em público depois dos 40.

E por isso se esperava que só casais com os filhos criados e sem mais projetos juvenis ou responsabilidades imediatas se dedicassem a causas. Por terem maturidade, experiência e autocontrole para pensar e agir de forma mais eficiente quanto às causas sociais, que são sempre urgentes.

E é por isso, também, que existe o mito do velho da montanha, aquele senhorzinho que controlava um bando de jovens e fanáticos assassinos.

Esse mito voltou entre os anos 1950 e 1960, na forma de gurus, seitas e cultos. (Ah, sim, sempre há os que aparecem para xingar os baby boomers. Mas raramente xingam os pais e os adultos responsáveis por eles.) A forma branda desse mito é o folclore dos pais preocupados com o professor de História que vai “fazer a cabeça” dos filhos adolescentes.

Enquanto a militância for apenas uma roda para queimar a inteligência e o filme uns dos outros, pura diversão. São só crianças (dos 10 aos 45) se estupidificando no campo fértil dos inocentes úteis. Quando estiverem estúpidas o suficiente, entrarão na esfera de influência de qualquer velho da montanha que tenha utilidade para elas. Esse é o argumento conservador. Aparentemente, os conservadores acham isso preocupante.

Então, tragam os velhos tarados de volta. Eles podem ensinar a sociedade a lidar com os militantes que vivem suas taras e fingem que é a causa. Isso, claro, para quem acredita que haja diferença entre tara em público e militância por causas sociais.

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