There be dragons

Penicilina, açúcar refinado, cultura.

Se você somar a isso o higienismo burguês, que tentou varrer mendigos, loucos e gente pelada das ruas, a única conclusão possível parece teoria da conspiração.

Se os dragões existem, podem ser assinalados em nossos mapas. Hic sunt dracones.

A ministração cuidadosa de DSTs vira tesoura de poda para um frondoso topiário de mais de 7 bilhões de psiques.

Ainda há quem prefira os mortos em piras ou esquartejados por abutres, mas o higienismo desnaturaliza a morte nas cidades, não só grandes.

Já não ficamos perto o suficiente dos mortos.

E essa seclusão dos cadáveres é o pano que os dragões usam para saborear as sombrias gordas ou ortonalos que somos, cevados por penicilina, açúcar refinado e cultura.

Afogado em açúcar e cultura, os ossos do ortolan se partem num ambiente discreto e requintado. Mas a imagem veio daqui: http://www.ultracurioso.com.br/chefs-franceses-querem-servir-passaro-usado-no-prato-mais-sadico-do-mundo/

São seres multidimensionais os dragões. Apenas o corpo não sacia a fome. Algo há num sistema nervoso saturado de cultura, prenhe de vidas psicológicas, que atiça a sanha dessas criaturas.

Não existe ainda no Medium as tags burguesia, bourgeosie, bourgeois etc. HSD?