“Millôr, e o bambu?” Foto: Marcelo Carnaval. Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/a-falta-que-um-francis-faz/.

Um uso válido da palavra releitura e por que gosto do jornalismo cultural, inclusive o brasileiro

Marcelo Ferlin
Jul 22, 2017 · 2 min read

Um uso válido de releitura: jornalismo cultural tem sido uma releitura cínica e preguiçosa do press release que as redações recebem.

Cínica porque a presença da palavra polêmica/polêmico no texto é código para “achei uma bosta e posso provar, mas há leitores que gostam”.

(Sério. Toda vez que aparece a palavra polêmico o leitor pode entender que alguém na redação acha aquilo idiota, mas sente ou sabe que não pode dizer.)

Preguiçosa porque polêmico serve ao release, como serve ao release quando se fala do visual do artista. E, claro, quando o jornalista precisa falar da obra, não raro recorre ao que já foi publicado.

Jornalismo cultural virou sistema impenetrável como o primeiro caderno dos jornais brasileiros, que até hoje seguem conforme a análise do Francis em Cabeça de Papel.

Aprecio a soma dos cinismos.

O fato de parte da cultura continuar cíclica e parte depender de calendário (lançamentos, relançamentos, tributos, morte & memória, revisões, releituras, remakes, franquias) torna o jornalismo cultural sempre cheio de assunto, mesmo quando esse assunto vira a falta de assuntos.

E isso torna a carreira no jornalismo cultural muito parecida com a carreira militar.

Basta não fazer bobagem e não ser pego para ir longe, anos de tarimba, anos de preguiça e cinismo.

E desconforto.

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A parte KitKat deste latifúndio.

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