As peripécias de Haddad e o custo para São Paulo

Haddad, falando sem ironia, é um sujeito visionário. As mudanças que está fazendo em São Paulo serão bem vista daqui a 20 ou 30 anos. Esse é o lado bom.

Agora vamos ao problema. Assim como Collor, que abriu o mercado internacional de uma vez só e acabou com a vida de muita gente, Haddad também padece do mal do imediatismo.

Sai fazendo tudo, tratorando, passando por cima de qualquer um, para ter sua vontade executada. Se fosse um empresário essa prática seria ruim ou até aceitável, dado que se a empresa quebrar o problema é principalmente dele, mas como prefeito não se pode ignorar o material humano nas consequências.

A ciclofaixa do Minhocão é estúpida. Os pilares do elevado não deixam o ciclista e o pedestre se verem antes de um impacto. O que faltou ali? O mesmo que falta em várias intervenções de Haddad: pensar nas pessoas.

Nos últimos anos ele promoveu uma cruzada contra proprietários de automóveis, que em São Paulo somam 6 milhões. Reduziu o número de vagas públicas, implementou Zona Azul, reduziu a velocidade das vias, colocou corredores de ônibus até onde não fazia sentido e fez a papagaiada de sair pintando a rua para chamar de ciclofaixa.

Alguém pode perguntar se tudo não é estudado antes de ser colocado em prática, disto tiro três possibilidades:

1. Melhor demitir o responsável pelos estudos
2. Não há estudos.
3. Os estudos mostram que vai dar problema, mas ninguém se importa.

Mudanças em uma cidade como São Paulo devem ser feitas a conta-gotas e em ritmo constante. Choque de gestão é coisa de ditador ultrapassado.

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/08/homem-morre-atropelado-por-ciclista-na-ciclovia-embaixo-do-minhocao.html