Trubisky chamou a atenção de scouts da NFL pela sua qualidade técnica e passes precisos (Foto: Jasen Vinlove — USA TODAY Sports Image)

Conheça Mitchell Trubisky, o queridinho dos olheiros da NFL

Os scouts da NFL, que podemos chamar de olheiros, viram em Mitchell Trubisky o aspecto necessário para ser um quarterback (QB) titular na NFL. No site oficial da NFL, a nota final dada a Trubisky significa que ele será um bom titular, com potencial de Pro Bowl. Aliás, está bem acima do QB de Clemson, Deshaun Watson, o que eu não concordo, mas isso é outra discussão. Hoje há um grande debate sobre o Draft da NFL de 2017, quando se relaciona a qualidade de Watson e do QB de North Carolina Tar Heels, Mitchell Trubisky. Qualidade e talento ambos possuem. As características são diferentes mas o que realmente divide os dois com uma maior disparidade é a carreira no futebol americano universitário.

Trubisky possui apenas 13 jogos como titular na universidade da Carolina do Norte. Isso é muito pouco para avaliar profundamente as qualidades do jogador e também para acompanhar a evolução do atleta ao longo do tempo. A maioria dos times da primeira divisão universitária jogam 13 partidas em apenas uma temporada. Nos primeiros dois anos em North Carolina, Trubisky foi relacionado para 21 partidas, mas em nenhuma ele foi titular. Em 2015 foi reserva do quarterback Marquise Williams, que teve uma ótima carreira no Tar Heels. Trubisky virou titular apenas em 2016.

Em North Carolina, o quarterback de número 10 quebrou o recorde da universidade no quesito de jardas de passe com 3,748 e, também no número de passes para touchdown (TD) com 30, em uma temporada. A eficiência da equipe na red zone (espaço de 20 jardas antes da endzone) foi algo positivo no ano passado. Em 2016, a equipe esteve na red zone em 55 oportunidades e pontuou em 46, isso significa que o time capitalizou em 83,6% das chances. Destas 46 pontuações, 36 foram touchdowns, sendo que 18 delas vieram por meio de passe.

Em toda a sua carreira em North Carolina, Trubisky fez 41 passes para touchdown e teve apenas dez interceptações (Foto: Grant Halverson/Getty Images)

Uma das estatísticas que mais impressiona na carreira de Trubisky é a porcentagem de passes completos. No ano passado, o líder do ataque de North Carolina acertou 68% de suas tentativas. Isso colocou-o como o sexto melhor quarterback neste quesito na primeira divisão universitária. Estatísticas sempre ajudam, porém a observação profunda ajuda a esclarecer alguns números. Em 2016, muitos passes de Trubisky foram para trás da linha de scrimmage ou em screen plays. Nestas situações, geralmente não há defensores por perto e o passe é feito para trás ou, indo no máximo três jardas para frente, o que facilita muito o passe completo. Sobre estas situações, em 12 jogos onde analisei profundamente a atuação de Trubisky, contei 67 tentativas, das quais 43 foram passes completos. Um número alto de jogadas desse tipo, mas que não diminui a qualidade e a precisão do atleta. Outro aspecto importante é a qualidade dos recebedores à disposição do QB em North Carolina, que contava com um setor cheio de atletas com talento de nível NFL.

Um dos vários aspectos que diferenciam Trubisky de Deshaun Watson é a capacidade de olhar para todos os lados do campo. O líder do ataque do Tar Heels não fica preso a um recebedor. Assim o atleta não força bolas desnecessárias e evita interceptações, que é outro número interessante na sua carreira; foram apenas dez passes interceptados. Oscila quando se trata de observar os adversários na sua linha de passe, o que gerou mais de uma interceptação em 2016. Por outro lado, Trubisky é muito conservador e isso acaba prejudicando a sua atuação em alguns momentos. Com o QB, North Carolina não venceu tantas partidas. Em 2016, foram oito vitórias e cinco derrotas, incluindo o revés contra #18 Stanford no Sun Bowl. Dentro da conferência, foram cinco triunfos e três derrotas, que deixou a equipe em segundo lugar na divisão Coastal da Atlantic Coast Conference (ACC).

Repare um exemplo da observação inexata de Trubisky que rendeu a sua segunda interceptação do Sun Bowl de 2016 contra #18 Stanford

Pontos positivos

  • Ótima presença e movimentação no pocket, o que evita sacks e auxilia na mecânica do passe;
  • Passe forte;
  • Ótima precisão de passes de média distância (10–19 jardas);
  • Boa mobilidade e visão de campo para ganhar jardas correndo;
  • Release rápido, que é o movimento que o quarterback faz para lançar a bola;
  • É inteligente, tem bom conhecimento do jogo e entrosamento com os companheiros;
  • Ótimo trabalho de pés, que influencia diretamente na sua mecânica de passe;
  • Boa visão de campo;

Preocupações

  • Fraco em passes de longa distância (+20 jardas);
  • Análise da defesa adversária antes de começar a jogada;
  • Comunicação com a linha ofensiva, o que muitas vezes rendeu sacks e confusão na proteção do passe;
  • Pouca experiência under center, já que praticamente todas as jogadas eram feitas em shotgun;

Trubisky tem qualidade e talento. Acredito que possui atributos positivos suficiente para ser o titular da franquia que escolhê-lo. Ainda precisa trabalhar em cima de suas preocupações que irão prejudicá-lo a curto prazo. Segundo o próprio Trubisky, jogar no Cleveland Browns, equipe que possui a primeira escolha do Draft, seria realizar o seu sonho. A cidade natal do atleta é Cleveland, no estado de Ohio. Acredito que a equipe do treinador Hue Jackson não deve escolher Trubisky com a primeira escolha geral. Porém o sonho permanece.


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