Kaepernick está sem equipe desde o começo da free agency, após desistir de seu contrato com o San Francisco 49ers (Divulgação: San Francisco 49ers)

Preconceito ou técnica: Por que Colin Kaepernick ainda está desempregado na NFL?

Coloco-me na posição de um general manager (GM), dono ou head coach (HC) de algum time da NFL que necessita de uma resposta urgente na posição de quarterback (QB). Ao observar os jogadores da posição disponíveis no mercado hoje, há nomes como Ryan Fitzpatrick, Robert Griffin III, Shaun Hill etc. Porém, outro jogador aparece entre os livres para assinar e seu nome é Colin Kaepernick. Se minha equipe precisasse de um atleta para atuar desde a primeira semana da temporada, sem dúvidas escolheria o ex-quarterback do San Francisco 49ers. O que surpreende é que Kaep ainda não assinou com nenhuma equipe da NFL. E não é pela falta de qualidade ou queda de desempenho.

Em 2016, a porcentagem de passes completos de Kaepernick foi de 59.2%. A 26ª no ranking de QBs da liga. Deve ser levado em consideração a baixa qualidade técnica de recebedores que a equipe da Califórnia possuía à disposição naquele momento. Mesmo com esta baixa porcentagem de acertos, Kaep teve a sua melhor temporada, em termos de estatísticas, na carreira no 49ers. O rating de 90.7 como titular foi o melhor de três anos como atleta de San Francisco e o 17º entre os QBs da NFL. A média de 4–1 no quesito de touchdown-para-interceptação ficou empatada na sexta posição na liga. Além disso, foram 468 jardas terrestres e a média de 6.78 jardas por corrida.

Com Kaepernick como titular em 2016, o 49ers venceu uma partida e perdeu dez (Divulgação: San Francisco 49ers)

Depois de ver estes números, surge a pergunta: Por que Kaepernick ainda está desempregado? Muitas respostas verossímeis surgem na NFL. Uma das mais fundamentadas é a de que donos de franquias, que infelizmente (ou felizmente no caso de poucas franquias) interferem diretamente na gestão da equipe de futebol americano. A maioria dos donos da NFL são extremamente conservadores e após a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre Colin Kaepernic, em um comício na cidade de Louisville em março, o ‘medo’ em contratar Kaepernick aumentou entre os representantes. “Eles [donos] não querem receber um tweet desagradável de Donald Trump. Vocês acreditam nisso?” disse o presidente dos EUA. O protesto feito pelo quarterback no ano passado, ao se ajoelhar durante a reprodução do hino americano nos jogos da temporada, atingiu diretamente setores conservadores, ortodoxos e patriotas da sociedade americana. A bandeira é algo respeitadíssimo nos EUA, uma honra e motivo de orgulho para o povo da América do Norte. Ao fazer isso durante o hino, Kaepernick comprou uma briga com uma grande parcela da população da terra do Tio Sam. Assusta saber que o quarterback não recebe uma oportunidade em nenhuma equipe da NFL por causa de suas opiniões políticas e sociológicas.

O renomado sociólogo americano Harry Edwards que se tornou conselheiro de Colin Kaepernick, contou para o USA TODAY Sports que três equipes contataram o quarterback após o início da free agency em março. “Eu não tenho nenhuma dúvida de que existem alguns donos que não gostariam que ele estivesse na liga e muito menos em sua equipe” disse o sociólogo. Edwards acrescentou que Kaep pode estar empregado em breve: “Eu espero[que um time contrate-o], porque ele estar em uma equipe interessa a liga”.

O safety Eric Reid (35) se juntou a Kaepernick nos protestos durante o hino americano em 2016 (Divulgação: AP/ Mike McCarn)

Kaepernick pode jogar? Sim, pode e tem todas as condições de liderar uma equipe. Ele precisa de uma chance para jogar. Existem times que começarão a temporada com dúvidas na posição e que poderiam contar com o ex-líder do ataque do 49ers, como o New York Jets, Buffalo Bills e Cleveland Browns. Além disso, ele poderia compor o elenco de vários times da NFL como um reserva de qualidade. Em um momento de polarização da sociedade em relação a posições políticas, ideológicas e sociológicas, Kaepernick se tornou vítima de sua manifestação contra o racismo e a segregação racial que há muito tempo está presente no dia a dia dos americanos. Errado ele não está, mas o método que utilizou para se manifestar foi extremamente ofensivo para os americanos e atingiu em cheio os patrícios da nobreza branca dos Estados Unidos. Torço para que ele encontre sua equipe e consiga vencer esta barreira preconceituosa, xenófoba e racista que tomou conta do mundo nos últimos anos.


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