Ele não sabia o que fazer.

Ele não sabia o que fazer.
Seu olhar passeava sobre o texto
Lia, relia, pensava
Ele não sabia o que fazer

Imaginava a melhor maneira de expressar as ideias
Mas, infelizmente, o que ele queria dizer não era aceito
Era considerado bobagem
Ele não sabia o que fazer

Começou a ficar angustiado,
Era importante se expressar
Mas, naquele momento, ele sabia que não poderia se expor
Ele não sabia o que fazer

Ele ficou com raiva
Forçaram-no a ser quem não era
Mas se não entrar na dança, seus sonhos não se realizarão
Ele não sabia o que fazer

Hipocrisia era o que cobravam dele
Ele ficou revoltado
Um absurdo exigirem que ele seja o que não é
Ele não sabia o que fazer

Então ele se apegou a sua ideologia
Decidiu abraçar as consequências, se assumir
Um ato heroico, libertador
Enfim, ele sabia o que fazer

Não quis abordar o tema inteligentíssimo do ENEM 2015
Disse que a violência ocorria com todos
“Por que privilegiar a violência contra a mulher? Por quê?”
Ele sabia o que fazia

Ele sabia que seria desclassificado
Mas quis expor sua opinião
“Isso é vitimismo” dizia Ele
“Se soubesse o seu lugar, não haveria violência”

Ele finalizou seu texto dizendo:
“Todos sofrem, vamos combater as minorias, expandir nossa mente”
Ele era um caso perdido
Ele não sabia o que fazia

“Ele”, uma das milhões de pessoas que se assustaram com o tema. Não deu o braço a torcer. Jogou fora 1 ano de preparo para enfrentar um sistema falho de seleção, só para expor o que pensava.
Por que citá-lo? Estava apenas expondo suas ideias.
“Ele” deve ser citado, pois não apanha quando expõe sua ideologia.
“Ele” não aceita o que é diferente.
“Ele” realmente acredita ser superior, ser biologicamente favorecido.
“Ele” as vezes cita crenças populares. “Deus fez o homem melhor que a mulher”
“Ele” impede a evolução da sociedade.
“Ele” não quer estar no mesmo grupo que alguém diferente do seu “padrão”.
“Ele” não quer a solução dos problemas dos outros, apenas dos problemas dele.
“Ele” é incapaz de sentir empatia.
“Ele” faz quem o observa questionar: “O ser humano é mesmo um ser racional?”.
“Ele” não respeita a vida, o amor e os outros. Apenas se respeita.
“Ele” vai continuar pensando assim por muito tempo. A vida inteira, provavelmente. É triste isso, porque “Ele” poderia mudar, aprimorar-se, tornar-se melhor para ele e para os demais.
“Ele” preferiu fechar sua mente e seguir seu caminho de desrespeito e ignorância.

E agora, depois desse longo texto, “Ele”, eu, você, todos sabemos o que “Ele” fará em 2016: cursinho. Pois, convenhamos, se conseguiram ter a sacada de um tema brilhante como esse, que tenta ajudar a sociedade a progredir estimulando o pensamento, por que regredir e dar oportunidade a despreparados mentais como “Ele”s??