A tênue linha entre o bom e o medíocre

“Quando você tem dez anos, te chamam de prodígio. Quando tem quinze anos, te chamam de gênio. Assim que você chega aos 20, é apenas uma pessoa comum.” Haruka Nanase, Free

Sim, eu comecei este texto citando o Haru, tosco? Talvez sim, mas o fato é que esta frase representa bem a minha visão sobre mim mesma e sobre minha arte.

2015 foi um ano de muitas descobertas e uma delas foi a da minha própria arrogância.

Desenho desde criança e desde sempre estou acostumada a ouvir certas frases. “Nossa que talento!” “Você desenha muito bem, eu não sei desenhar nem um boneco palito/Casa/Árvore”.

Não chegava a achar minha arte lá essas coisas mas como sempre fui a única que desenhava admito que comecei a achar que era mais do que pensava.

Mostrava desenhos para os meus amigos, na espera de comentários que seriam sempre rebatidos com um “Ah não está tão bom assim!” para que eles retrucassem e alimentassem ainda mais o meu ego, tenho vergonha de admitir isso mas é a verdade.

Chegando na faculdade veio a crise, e se eu fosse a pior? Tal qual foi a minha surpresa ao descobrir que eu era uma das poucas que sabiam desenhar, e nas aulas de desenho livre era como estar na escola novamente.

Mas é claro, não demorou tanto pra eu sair da minha doce ilusão de que “desenho muito bem”.

Sempre irá encontrar alguém melhor, e quem você acha que será elogiado agora? Eu é que não.

Acho que o momento que marca a minha descoberta da realidade foi quando fiz um teste para uma vaga em um estágio da faculdade e não demorei para descartar todos os outros competidores acreditando que era melhor.

O resultado foi como um tapa na cara, não entrei.

Mas acho que isso serviu para colocar meus pés no chão, ninguém tá de brincadeira e está na hora de eu realmente me dedicar para conseguir as coisas que eu quero.

O caminho que minha arte percorreu até aqui não foi em vão, no entanto, mesmo com todos os meus erros, alguma coisa eu sei fazer.

Mesmo que o que os outros considerem como “Bom” eu entenda como “Medíocre”.