A paquistanesa da Tijuca

Mais um dia comum na minha vida, ok, não tão comum, porque era feriado e eu tirei o dia pra mim. Eu tirei o dia pra ir ao cinema. O que importa é que eu estava fazendo um trajeto comum, pela tijuca, passando por sem tetos, beatas e asiáticos, nas cercanias da praça saens pena. Apesar de ser considerada a zona sul da zona norte e ter uma pastelaria chinesa em cada esquina, é incomum avistar estrangeiros não asiáticos, cá por esses lados, no outro suvaco do cristo.
Eis que hoje eu me deparei com uma mulher, uma paquistanesa, um tipo determinado de pessoa que você identifica de longe por usar roupas de mais para o outono carioca. E ela era muçulmana então parte do seu rosto estava coberto por um lenço. Não, dessa vez o que me chamou atenção não era o excesso de roupa, o lenço na cabeça ou o choque evidente e intenso entre culturas, o que me chamou atenção era como ela estava absolutamente maravilhosa naquela roupa, estampada, rosa, vermelha, azul, com uns grafismos feitos a mão. Naquele momento eu esqueci de todo o cinza e a sujeira da Rua Barão de Mesquita, e tudo o que eu queria era ser como a paquistanesa. Confiante, enfeitada, colorida. De calça, túnica e lenço. E com uma sapatilha que depois percebi, era exatamente igual a uma que eu mesma tenho no armário.

Talvez não fossemos tão diferentes, talvez não sejamos.

Escrito em Abril de 2014 em modadeverdade.com

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