Alguém salve a moda da estagnação!

Na última temporada, estive fora das semanas de moda. Não nego não, senti saudade, de ver as roupas de pertinho, dos corredores cheios de gente, do burburinho antes do desfile começar e como a workaholicque sou, das noite que em virava escrevendo.

Agora eu estava vendo de longe, pelas fotos dos amigos e da imprensa especializada. Mas como sempre, tirei o pouco do tempo que me sobrava entre meia noite e seis da manhã pra ler as resenhas de todos os desfiles (em pelo menos 3 portais diferentes).

Eis que eu comecei a ver as fotos dos desfiles, li as resenhas, assisti a uns videos…

E acabei chegando à quarta coleção diferente como se estivesse ainda na primeira. Os textos que eu lia tentam até dar algumas voltas pra enganar, mas acabaram caindo no mesmo.

imagem de fundo daqui

Qualquer leigo que batesse o olho em meia dúzia de desfiles chegaria muito facilmente a uma conclusão simples: o mood que iria bombar no próximo verão era o mar. Até aí, tudo bem. Era uma tendência mundial que acaba sendo seguida e que foi antecipadas pelos bureaus de estilo, pelos portais especializados e pela pantone já há algum tempo.

Só que peça após peça, desfile após desfile, os elementos mais uma vez vão se repetindo, os tecidos, os comprimentos, as pérolas, as rendas, a imagem de moda que fica é praticamente a mesma. Penso no verão 2016 e o que me vem a cabeça são sereias, a transparência das anêmonas, a fluidez das algas, as pérolas, corais e concha.

Pensem que 3/4 do planeta são cobertos por mar, lugar onde habitam bilhões de seres dos mais variados tipos, onde existem inúmeros tipos de profundidade, cores, texturas, mitos e lendas. Partindo deste ponto, como podem as marcas terem focado nas mesmas especificidades deste universo? Simples, em tempos de crise econômica as marcas não querem arriscar e preferem investir o dinheiro contado em peças simples e com poucos inovações.

Em parte, esse raciocínio até que faz sentido. Mas por outro lado, como explicar tantas marcas novas fazendo sucesso com produtos diferenciados?

Se por um lado é muito menos arriscado lidar com um sortimento menor de produtos, por outro as marcas menores vendem porque se destacam do que se tem feito nas grifes mais conhecidas e nas fast fashion. Já na maioria das marcas grandes o cenário não é muito promissor, é de estagnação. E não se espante se no próximo inverno as marcas que mais venderem sejam as que não apresentarem boho chic, verde militar ou renda.Ninguém mais quer vestir o que usava há 4 anos atrás.

No seu lugar de consumidor, pense bem: não é cansativo passar pelas vitrines e ver exatamente a mesma coisa? Você acaba não tendo interesse de compra em nenhuma marca e todas elas parecem convergir para o mesmo ponto e acabam perdendo a sua identidade própria. Os melhores administradores já diziam que nas horas de crise é preciso ser criativo (claro, que com muito planejamento envolvido). E a vontade dos estilistas de fazer diferente? Existe, mas essa mobilização depende também de toda a estrutura das marcas pra que isso seja levado a diante.

Publicado originalmente em 2015 no Modices

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