UM ANO SEM… O QUE APRENDI COM O SADHANA

O que acontece quando a gente decide mudar um hábito, escolhe agir ou pensar diferente? Um novo caminho se abre na nossa vida…

Foto: Marília Lopes

UM ANO SEM AÇÚCAR

Há alguns anos, enquanto eu passava por uma situação complicada, fiz um voto. Num dia 12 de outubro ao meio-dia, ao som dos foguetes oferecidos à Nossa Senhora Aparecida, decidi que ficaria um ano inteiro sem consumir açúcar.

Naquela época eu era apaixonada por doce, amava sorvete, era chocólatra. Mas, apesar disso, me comprometi a ficar 12 meses sem ingerir nada que contivesse açúcar ou outro tipo de adoçante. Tirei sobremesas, bolos, roscas, refrigerantes, sucos adoçados e até o cafezinho.

Essa foi a primeira vez que escolhi me privar de alguma coisa em prol de algo maior. Gostei da experiência. Foi muito bom perceber que podia me controlar, que era capaz de dizer não pra mim mesma.

Descobri em mim uma força que eu não conhecia, me vi capaz de fazer escolhas mais conscientes, me senti livre.

E aprendi que quando a gente se dispõe a crescer através do autoconhecimento, o Universo se aproveita muito dessa disposição. Dentro daquilo que me propus, enfrentei situações em que era muito difícil resistir.

Na Yoga, usamos o termo sânscrito sadhana para representar os sacrifícios que escolhemos fazer ao longo da nossa jornada a fim de fortalecer nosso espírito — sadhana é o meio para alcançar um fim desejado, é uma prática, um caminho.

Ficar sem açúcar foi meu primeiro sadhana. Depois disso, muitos outros vieram: sem carne, sem álcool, sem pão francês, sem falar dos outros, sem gritar, sem julgar, sem criticar, e mais, muito mais. Alguns com duração de um ano, outros do tipo “só por hoje” e ainda os de 21 dias, 40 dias, 30 dias.

UM ANO SEM COMPRAR

Por último, fiquei um ano sem comprar roupas e sapatos para mim. De 12 de outubro de 2015 até 12 de outubro de 2016 eu não comprei nenhuma peça.

Combinei com a minha família que eu poderia ganhar, mas se eles quisessem e o que eles escolhessem me oferecer. Assim, eu exercitaria a humildade ao pedir e ao aceitar o que viesse, inclusive o não.

Cada sadhana é único e te mostra diferentes sujeiras jogadas pra debaixo do tapete.

Nessa última experiência, percebi o quanto eu associava o consumo à satisfação das mais diversas necessidades. Comprava para saciar desejos que não seriam saciados com sapatos novos ou novas “brusinhas”. Desejava coisas da quais eu não precisava.

Descobri, durante esse ano, que dava pra fazer combinações diferentes com peças repetidas, fui aprendendo a valorizar o que já tinha e a descartar definitivamente o que eu não conseguia usar. Aprendi a me relacionar com roupas e sapatos de uma forma diferente, sem colocar neles a responsabilidade de me fazer sentir assim ou assado. Foi um período de muito aprendizado. Precisei lidar com algumas insatisfações, com a vaidade e a falta dela, com autoestima e com meus conceitos sobre ser ou estar bonita. Justamente durante esse período tive uma fratura e alguns probleminhas hormonais que me renderam mais 5 k na balança e alguns centímetros de coxa e quadril.

Como falei lá em cima, o Universo aproveita da nossa disposição e esfrega na nossa cara o que somos e fazemos dentro do contexto do voto. Ele nos testa de todas as formas. Em julho, eu só tinha uma calça jeans que entrava no meu corpo.

UM NOVO CAMINHO

Quando saímos da zona de conforto e nos desafiamos, somos forçadas a abrir novos caminhos. Ao deixar de fazer alguma coisa, automaticamente precisamos aprender a fazer diferente, a olhar por outro ângulo, a conhecer a nossa dinâmica de pensamentos e desejos.

O mais interessante dos sadhanas é que, depois de nos forçarmos por um tempo a seguir o caminho escolhido, ele se torna natural. Agora não tenho mais fissura por doce, não costumo comprar por impulso e procuro observar onde nascem os meus desejos, seja por um chocolate, por um sapato novo ou por falar algo que pode ser substituído pelo silêncio… ou por um sorriso.

Já estou planejando como será 2017. O meu próximo voto terá início no dia 01 de janeiro. Mas, sobre isso, vamos conversar numa outra hora.

Só para constar: ainda caio em tentação, afinal não sou nenhum Buda

Com amor,

Marília Lopes

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