Quarta-feira é dia de gritar gol!

Vitor Martellote
Aug 23, 2017 · 2 min read

Imagina você na arquibancada, domingo de sol, calor de 40 graus, cerveja gelada, gente suada, gritos de guerra, bandeiras e uma festa digna de Carnaval.

Imaginou? Então, essa foi a infância de muitos cariocas, inclusive a minha que pude presenciar grandes jogos, às vezes nem tão grandes assim, no Maracanã. Exatamente hoje, dia que escrevo esse texto, haverá uma partida entre Flamengo e Botafogo válido pela semifinal da Copa do Brasil de 2017.

Uma oportunidade única, com tanto descaso e corrupção nas obras do Maracanã, hoje ele reabre mais uma vez para esse clássico tão bonito e um dos maiores do Brasil, do Mundo, também.

Mas não vou me atentar aos times, hoje quero falar dessa sensação de ir aos estádios e vivenciar cada momento dos 90 minutos disputados em campo. Sou um torcedor pouco fanático, já tive meus momentos de fanatismo, mas sem a agressividade dos tempos atuais de tantas brigas e intolerância.

Lembro da minha infância no Maracanã com muito carinho, ser levado pro estádio com meu pai após a pescaria, ou até mesmo de casa na Zona Oeste, no seu fusquinha branco, íamos eu e mais algumas pessoas dentro daquele carro, que pra época era muito confortável, levamos bandeira presa na janela e atravessavamos a Avenida Brasil inteira quase como uma carreata em busca da vitória. Íamos ajudar o time, entrar em campo, gritar, dar chute a gol e se der bater o pênalti da vitória.

Hoje, após tantos anos sem meu pai já falecido, lembro dessas histórias e sinto uma vontade de voltar ao estádio, voltar ao palco mais bonito do mundo, onde vi meu time ser campeão, sair derrotado e esse amor nunca foi abalado.

Mas o amor pelo Maracanã, esse sim foi ficando mais fraco e abalado com suas derrotas, com seus desmonte, seu clima e até o calor que antes nos alegrava, hoje nos irrita e nos faz querer distância. Porém, em dias de jogo, um sentimento cresce, fico com o coração acelerado e passo dia todo querendo que dê a hora do jogo. Fico durante o dia todo pensando em como vai ser cada lance, o que esperar de cada jogador e qual placar vai ter ao final.

Sinto muitas saudades de poder ir ao Maracanã, reviver aquela experiência toda que tinha com meu pai. Quem sabe o dia que eu tiver filho possa sentir essa emoção de novo, ou melhor, a felicidade que meu pai tinha em levar os filhos onde ele viu o Brasil perder pro Uruguai, mas também viu seus ídolos brilhando num tapete verdinho com as cores do time do coração.

Hoje vou olhar pra televisão, lembrar disso tudo e torcer muito como se meu pai estivesse ao meu lado no estádio.

Obrigado pai, por me criar e estar ao meu lado e dessa nação maravilhosa nos dias de jogo.

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    Vitor Martellote

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