Futebol, política e religião não se discute

Essa era uma frase que eu ouvia minha avó dizer quando eu ainda era criança. Claro que eu discordo desse parecer, ainda que tenha uma sabedoria popular que a embase. Todo assunto é passível de discussão, desde que isso seja feito com respeito e em lugar adequado.

O Supremo Tribunal Federal rejeitou, necessitando do voto de minerva de sua presidente (placar de votos de 6 x 5) para isso, uma ação de inconstitucionalidade contra a apresentação de credo único no ensino religioso como disciplina do ensino fundamental. Sendo assim, os professores de ensino religioso poderão apresentar uma única crença e defender sua opção diante dos alunos.

A oferta de ensino religioso é obrigatória, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ainda que seja uma disciplina facultativa aos alunos. Sendo assim, as escolas terão de escolher um professor e um credo para ser abordado na disciplina, em vez de tratar do tema de modo genérico.

As crianças que tiverem sua formação religiosa não contemplada por sua escola como disciplina se sentirão discriminadas. Essa situação poderá colocar crianças em um debate religioso sem que tenham profundidade para argumentar. Poderá haver discussões fervorosas, sem que qualquer lado tenha razão.

Religião é algo muito conectado à emoção. Muitas vezes ela está firmemente estreitada por laços familiares e histórias de vida. Portanto, na maioria das vezes, não se muda de crença por causa de uma argumentação racional. Há muito mais envolvido. Grande parte das pessoas se sente fortemente ofendida quando sua crença é questionada.

A fé é algo que se discute, sim, mas não na escola. Religião é uma competência da família. Os responsáveis pela criança são os que a encaminham pela fé que escolheram. Mais tarde, espera-se que essas crianças, agora como pessoas maduras, façam sua escolha quanto a que crença seguir ou até mesmo a de não crer, se assim o desejarem.

Como cidadãos, resta-nos torcer para que haja bom senso entre os envolvidos no ensino religioso oferecido pelas escolas. Mesmo sabendo que, quando se trata de fé, infelizmente, bom senso é artigo raro.