Um princípio da Reforma Protestante que vale para todo ser humano

Há 499 anos (31/10/1517), o monge alemão Martinho Lutero afixou suas 95 teses, com críticas a várias doutrinas católicas, na porta da Igreja do Castelo, em Wittenberg. Esse foi o momento determinante para o que seria conhecido como a Reforma Protestante. As pessoas puderam passar a ler e interpretar a Bíblia por si mesmas e, assim, buscar entender qual seria a revelação de Deus. Claro que isso gerou ramificações, sendo as primeiras as igrejas luteranas, as calvinistas e a Igreja Anglicana.

Destaco, do movimento da Reforma, o chamado às pessoas para que pensem, analisem, reflitam. Foi um grande despertar naquele período, ainda que isso tenha causado divisões pelas diferentes interpretações da Bíblia. Houve um despertamento para a importância de raciocinarmos de modo lógico sobre tudo o que nos cerca.

Os reformadores levantaram várias bandeiras e destaco a que diz, em latim: “Ecclesia reformata, semper reformanda” (igreja reformada, sempre se reformando). Esse lema da Reforma conceitua que é preciso que a igreja se avalie constantemente, verificando se é necessário corrigir algo, se houve algum desvio do que deveria ser uma igreja bíblica.

Penso que esse é um lema que deve valer para todo ser humano. Temos sempre de nos avaliar e corrigir, reformar, quando necessário. Só podemos fazer isso considerando parâmetros estabelecidos por nós, de acordo com nossa bagagem de experiência e conhecimento. Examinamos o que fomos e o que queremos ser, e o que é necessário fazer para chegar ao que queremos. Talvez seja preciso somente aparar arestas, mas também existe a possibilidade de ter de remexer os fundamentos.

Passar por essa experiência de reformar a si mesmo pode ser imensamente doloroso. No processo, assim como acontece com uma casa, muita coisa pode ficar bagunçada e nos fazer pensar se deveríamos mesmo ter começado a remexer no que estava quieto e seguro. Apesar de incômoda e fatigante, a auto reforma deve ser buscada. Ela nos encaminha a coisas melhores. No mínimo pode te dar paz, um coração tranquilo, apoiado em boa ética e boa convivência. É a experiência de você se reconhecer cada vez mais como você mesmo.