O dia que virei um dos X-Men e afundei o futebol nacional

Todos sabem que minha vida está longe de ser monótona. Todos os dias alguma situação constrangedora aparece para tornar minha existência mais relevante e vexatória. Porém, nada chega perto do dia em que virei um mutante e acabei com o sonho do Brasil de conquistar o Hexa.

Tudo começou quando meu amigo Vini Lima me convidou para assistir um festival. O F.O.D.A (Festival do Ódio aos Dias Atuais) reunia tudo o que eu sempre mais gostei. Música ruim, cerveja barata, área de fumantes, e um espaço que permitia todo e qualquer tipo de reclamação. Apesar de estar um pouco cansado, vesti minha camisa Top da Onbongo, meu Topper branco de futebol de salão e fui. Não sem antes colocar minha pochete no ombro.

Chegando até o festival, logo notei que tudo estava muito chato. Desde as atrações musicais até a cerveja quente. Não estava feliz. De repente, tudo escureceu. E foi aí que o barraco começou a desabar e meu barco começou a se perder.

Logo após o apagão, acordei em uma caverna. Estava sentado em uma cadeira, sendo observado por duas pessoas que eu nunca havia visto na vida. Parecia aquele filme dos Homens de Preto. A dupla era composta por duas pessoas que não tinham nome, apenas um apelido. Um deles era o Barbudinho do ZapZap e o outro era o Kobra. Ambos pertencem a uma corporação chamada Comunidade para um Mundo Melhor (CMM). O intuito da CMM é melhorar a vida de pessoas de mal com o mundo. Eu fui o escolhido dessa vez.

Confuso, quis saber o que seria feito para melhorar minha vida. Fui informado que além de ter sido submetido à uma lavagem cerebral, ganhei super poderes. Sim, igual aqueles do X men: visão raio x e tudo o mais. Outros super poderes me chamaram muito a atenção, como: coragem para ouvir Incubus e Los Hermanos, estômago para ler os comentários de notícias do G1 e capacidade de entender uma partida de baseball, entre tantos outros. Contudo, o que mais me deixou feliz foi o de poder entrar na mente das pessoas e tomar decisões por elas.

Os primeiros dias foram um tanto quanto difíceis, mas fui me adaptando. Consegui fazer os gerente dos bancos que devo perdoarem minhas dívidas, fiz as pessoas que não gostam de mim trocar o ódio por amor, e por aí foi. Mas uma hora tudo isso me cansou, e decidi fazer algo realmente útil.

Como eu também poderia alterar o tempo, alterei o relógio do planeta, e fui parar no ano de 2018. Mais precisamente, abril de 2018, quando os treinadores do mundo todo começam a convocar suas seleções para a disputa da Copa do Mundo. Resolvi que eu seria o Tite pelos próximos meses.

Confesso que a lavagem cerebral não apagou o ódio que sinto por tudo e todos que cercam o time da CBF. Sendo assim, decidi que iria convocar os 23 jogadores que iriam para a Rússia para passar vergonha. Convoquei o time reserva do Independente Futebol Clube (o famoso Galo da Vila Esteves) para representar a camisa amarela que é o traje principal das micaretas pedindo o fim da corrupção.

Como gosto de ver o circo pegar fogo, abri uma vaga para o menino Neymar no meio desse elenco estrelado. Depois de três piabas homéricas na fase de preparação, eis que os jogadores que mal conhecem a fronteira do nosso amado estado cruzam o planeta para trombar um bando de troglodita com a cara cheia de vodka.

Meu plano deu muito mais que certo. Após três derrotas para Macedônia, Trinidad & Tobago e Birmânia, a seleção volta para a terra do Pau Brasil com o rabo no meio das pernas, e muita tristeza pela campanha vergonhosa. Eu, obviamente, estava rachando o bico. Mas não há felicidade que dure para sempre.

Fiquei comovido em ver tantos brasileiros tristes e cabisbaixos. Resolvi que iria entrar na mente de alguém capaz de dar alegrias ao povo brasileiro.

Depois de um tempo, os ânimos estavam mais calmos, e voltei a fazer minhas tarefas diárias, entre elas, assistir futebol. Descobri que o Palmeiras havia sido bi campeão da Libertadores, e iria disputar o Mundial. Como um bom samaritano, eu resolvi entrar na mente do árbitro da partida e ajudar muito o clube verde e branco a ganhar a taça.

A partida foi contra o Real Madrid. Logo no começo, expulsei Cristiano Ronaldo e o goleiro Navas no mesmo lance. Mesmo assim, o zagueiro Vitor Hugo fez uma cagada gigante e fez um gol contra que não pude anular.

O clima estava feio, e o jogo caminhava para seu final quando Valdívia, na sua décima passagem pelo clube, empatou a partida. Nos últimos segundos, marquei um pênalti em cima de Felipe Melo. O próprio foi bater.

Nesse momento, minha mãe me acordou e eu saí desse terrível sonho. Mas saí dele com três certezas: não deve ser legal brincar de ser Deus, o hexa está longe, e o Palmeiras não tem Mundial.

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