Vão Livre MASP, Materialidade e Imaterialidade.


INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objeto de estudo o prédio do MASP, mais precisamente o vão livre, sob seus quatro pilares, e as funções que exerce para a cidade desde que fora inaugurado, sejam elas intencionais ou acidentais.

É objetivo deste trabalho discutir o programa associado ao vão livre do MASP, tomando como princípio o processo de fechamento do mesmo, levando em conta o artigo do Estadão de 2013 sobre o caso.

O método de pesquisa reúne busca em sites da internet e uma visita ao prédio feita no dia 26 de setembro de 2015.


O PRÉDIO

Primeiramente, em 1947, fora instalado na sede dos Diários Associados, cujo dono era Assis Chateaubriand, fundador do MASP, empresário e jornalista à frente de diversas empresas. A área dedicada ao museu ocupava quatro andares, com adaptações para melhor acomodação das obras feita por Lina Bo Bardi, que viria em seguida (1957), projetar a segunda e definitiva sede do museu, que fora inaugurada apenas em 1968.

O PROJETO

Localizado na Avenida Paulista, em frente ao parque urbano do Trianon, o projeto do MASP teve de ser desenvolvido com extrema atenção e cuidados, pois o doador do terreno impôs a condição de que se preservasse a vista para o centro da cidade e para a Serra da Cantareira, pelo vale da Nove de Julho. Também havia outro problema: o aterro sob o qual passava o túnel da 9 de Julho, as obras não poderiam interferir com ele. Assim surgiu a ideia de fazer o prédio em concreto protendido, elevado do chão, com suas quatro colunas e um vão livre de 74 metros abaixo.

O MASP é tombado em três esferas, nacional, federal e municipal (pelo Iphan, Condephaat e Conpresp), juntamente com seu acervo.

O VÃO LIVRE

A esplanada de 74 metros sob o prédio, chamada “vão livre”, foi pensada por Lina Bo Bardi propositadamente, para que servisse como espaço de lazer, “uma grande praça”. Posteriormente foi adotado como cenário de eventos, como a Mostra Internacional de Cinema e a Feira de Antiguidades.

Outro exemplo foi a Mobilização pela Leitura de 1º de Outubro, cuja divulgação acontecia no dia 26 de Setembro no vão livre, e que contava com declamação de poemas, barracas para doação de livros e divulgação dos quadros de programação das bibliotecas Parque Villa-Lobos e Biblioteca de São Paulo.

O FECHAMENTO DO VÃO LIVRE

Em 2013 (e algumas vezes antes, mas por outras razões), fora divulgado um artigo, na versão web do jornal Estadão, que defendia o fechamento da área sob o MASP, com o uso de cercas. No artigo, é usada como justificativa a “invasão” do vão livre por moradores de rua, manifestantes e usuários de drogas, e a “ameaça” que essas pessoas causam aos visitantes do museu (cita como exemplo a exposição de Yann Arthus-Bertrand, que foi interrompida, devido aos fatos anteriormente citados). A notícia repercutiu na internet, gerando movimentos contra o fechamento do vão livre, como o “no meu vão ninguém mete a mão”, do facebook, e muitas notas sobre o assunto.


Discussão: Qual a função que o vão livre do MASP exerce para a cidade de São Paulo? Seu fechamento é justificado?

Desde os projetos de Lina Bo Bardi, o vão livre do MASP foi pensado como uma área de trânsito de pessoas, a despeito do avanço de prédios empresariais na Avenida Paulista, quase como uma antítese ao rumo que a rua seguia, tendo como fundo uma vista ampla dos arredores. Os eventos ali executados, as manifestações populares e tudo o mais veio sendo agregado ao cenário com o passar do tempo, e o lugar agora serve como centro de congregação de pessoas, onde elas se encontram e compartilham ideias. O valor intrínseco do prédio como expositor de obras artísticas se expande quando os visitantes podem usufruir de conteúdos adicionais, gratuitamente, do lado de fora. Quem passa em frente pode se sentir atraído pelo evento, e ao fazer parte dele, adquirir coisas para si.

O fechamento do vão livre se apoiando na suposta ameaça proposta por moradores de rua e manifestantes, tem fundamentos muito rasos, uma vez que não propõe uma solução para ajudar aos moradores de rua, mas sim apenas impedi-los de entrar no vão livre, e por consequência, os demais cidadãos de São Paulo de aproveitar-se do espaço da maneira como ele foi pensado para ser, e como deve se manter, pelo bem da memória da obra, bem como pelo bem dos cidadãos.


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