Rejeitado.

Desde pequeno que sou desajeitado.
Desde pequeno que me sinto rejeitado.
Eu deveria ter ajeitado.
Mas preferi ficar deitado.
E vendo a solidão sorrindo.
Vendo minha alma desistindo. 
Meu coração insistindo em se machucar.
Minha mente querendo me matar. 
Viver ou morrer, tá foda esse dilema.
Tá foda decifrar a origem desse problema.

Ninguém se importa com meus sentimentos.
Sedento de carinho e amizade em todo momento.
O que me fez sofrer e chorar foi um livramento?
Olhares estranhos, cansado desses julgamentos.
Qualquer olhar estranho me estranha.
No meu sonho, eu caminhava pela Alemanha.
Acordei no meio da madrugada preocupado. 
Ela preocupada com o meu semblante assustado. 
Então perguntou: “não é melhor terminar essa história?”
Eu pensei em como terminar e apagar a minha memória.

Eu pensei em como paralisar o meu coração.
A depressão curtiu a ideia, por alguma razão.
Planejei como esfriar e matar a minha alma.
Pensei com calma, conversei com meus próprias traumas. 
Refleti profundamente, vi que valeria a pena. 
Porque sempre senti minha alma tão pequena.
O eu lírico se destaca nessa carta.
A depressão é uma psicopata.
Escrevo isso antes que ela me mata.
Ela me trata bem, mas, ao mesmo tempo me destrata.