Do lado de lá… (Parte 1)

Andanças pelas terras e impressões do povo d’Além Mar.

Praia de Albufeira, Algarve, Portugal. (Acervo pessoal)

Em 2010, atravessei o Atlântico pela primeira vez. Na bagagem muita expectativa sobre o Velho Mundo. Visitar a Europa era um sonho que me acompanhava desde a adolescência impulsionado elas aulas de História da Arte. A possibilidade de ver de perto obras que só conhecia dos livros era fascinante. A mudança da minha irmã para Portugal acrescentou mais um motivo à viagem.

O inverno rigoroso daquele ano nos obrigou a reformular do plano inicial — que também incluía Espanha e França — já que viajávamos de carro e o clima oferecia perigo nas estradas. E que bom que foi assim, pois tivemos mais tempo para percorrer as terras portuguesas e visitamos apenas algumas cidades espanholas.

A viagem por Portugal reservou uma surpresa a cada dia. Quando achava que já tinha me decidido pelo lugar preferido, era arrebatada por um novo que me deixava sempre envolta na dúvida. Com uma geografia que varia de regiões montanhosas a planícies, Portugal continental, do Norte ao Algarve, com seus 92.000m2 — menor que o estado de Santa Catarina — e é de “uma lindeza tamanha”, como cantava Amália Rodrigues.

É impossível não se impressionar com a cultura portuguesa. Sua gente tem uma firmeza na fala que pode até assustar num primeiro momento, mas basta ‘um dedo de prosa’ para perceber a simpatia e hospitalidade do seu povo. Por isso, não se deixe abalar por uma resposta mais ríspida de um português, ele não faz por mal, é seu jeito de ser. Nada de intimidades num primeiro contato. “Olha lá meu senhor” ou “minha senhora” ainda é muito habitual. De vez em quando se escuta “a menina pode seguir…” ao se pedir uma informação.

Não falar da comida seria uma heresia, já que a excelência de sua gastronomia é reconhecida mundo afora. Mas, Portugal não vive só de bacalhau, batata e doces a base de ovos, os pratos portugueses também impressionam pela variedade de carnes e de frutos do mar. E, claro, para acompanhar cada maravilha gastronômica há um vinho, do Trincadeira ao Dão. Em resumo: come-se e bebe-se muito bem por lá.

Ponte 25 de Abril cruza o Tejo, com Lisboa ao fundo. (Acervo pessoal)

E o Tejo? Ah! O Tejo… Como não se encantar com aquele rio? Ele exerce uma poderosa relação com a cidade. Antes mesmo de Portugal dominar as navegações, o rio já era importante rota utilizada pelo Império Romano, segundo recentes descobertas arqueológicas, para transporte de alimentos e outras mercadorias entre as cidades ocidentais e orientais. Hoje, ele conecta — por suas pontes ou por barca — Lisboa às regiões mais ao sul do país.

Por falar em Lisboa, diria que carrega as marcas do tempo em suas ladeiras, seus calçamentos de pedra, seus prédios suntuosos, suas janelinhas. A capital portuguesa com seus pouco mais de 500 mil habitantes também é uma metrópole, no melhor sentido. O contraste entre o antigo e novo é parte do cotidiano lisboeta, exemplo disso é o sistema de transporte público capaz de manter os tradicionais “elétricos” (bondes) em pleno funcionamento no centro da cidade, além de oferecer linhas de ônibus, trem e metrô — como qualquer grande cidade hoje em dia.

Lisboa é um lugar para se passar o dia caminhando por suas ruelas, subindo e descendo suas ladeiras e escadas de pedra, observando e conversando com sua gente, fazendo paradas estratégicas para comer um bom cozido à portuguesa ou uma mariscada, saborear um bom pastel de nata ou leite creme, sem esquecer de um bom e forte cafezinho e anoitecer à beira do Tejo — em Belém ou no Parque das Nações — porque o rio compõe a linda pintura que é essa cidade.

Lisboa vista do Elevador de Santa Justa. (Acervo pessoal)
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