Continue vendendo inteligência. De verdade, simplesmente continue.

Não é simples para uma empresa fazer o seu caminho vendendo inteligência. Quase sempre é mais fácil, mais lucrativo e mais bem aceito pelo mercado vender baixo custo, rapidez ou uma resposta conhecida e confortável às demandas do cliente.

Todas essas entregas são legítimas, mas nenhuma delas representa um diferencial, uma característica que separe seu negócio dos outros.

Talvez isso seja culpa da proliferação do discurso da inteligência, da inovação e da originalidade tanto nos clientes quanto nas empresas. Uma fala articulada que prevê uma postura diferenciada e que prega as soluções “fora da caixa” como o compromisso de clientes e empresas que não possuem a mínima condição e não fazem o menor esforço prático para oferecer esse modelo de serviço.

É como a questão da honestidade com os políticos e da postura inclusiva em vários negócios. O conceito é disseminado porque é o que o público espera ouvir, mas não há realmente uma disposição de tomar as decisões difíceis e sair da zona de conforto.

Porque me arriscar em implementar um processo que requer grande esforço e envolvimento se posso usar a solução de sempre, que (ainda) traz os resultados esperados? Embora a resposta óbvia inclua impacto, ganho de imagem, criação de novas relações e um reposicionamento que garante maior durabilidade à marca, pouca gente parece interessada em ouvir.

Vemos cada vez mais profissionais trocando o projeto original pela aprovação fácil, a proposta inovadora pela possibilidade de ganhar mais com mídia, a ideia criativa pela fórmula testada e aprovada.

Claro que em um mercado em plena convulsão como o da comunicação é difícil argumentar contra essa opção que vem sendo a regra desde que o tempo é tempo, mas é quase impossível não notar o sucesso de quem escolhe ser a exceção.

Por isso, se você e a sua empresa têm um DNA criativo, inovador, não abram mão disso. Talvez o resultado demore, talvez seja preciso fazer concessões de vez em quando, mas não abra mão dessa essência. Alimente-a, compartilhe-a com quem está próximo a você, dissemine-a.

Aposte no projeto autoral e sem lucro, brigue por sua visão, construa uma base que o permita estar acima da mediocridade. Talvez não o tempo inteiro, mas sempre que possível.

Para quem vende inteligência o caminho é sempre mais difícil e cheio de voltas, por isso meu aplauso a quem segue acreditando nele mesmo que seja preciso dar um passo atrás aqui e ali.

Ao final de tudo, quando os rápidos, baratos e comuns passarem, é essa história que vai mantê-lo vivo. Ainda pelejando, ainda cedendo a algumas visões, mas brigando pela grande ideia. Acreditando que se não for assim, melhor que não seja de jeito nenhum.

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