Tudo que é sólido não se desmancha na nuvem

O pedido singelo veio na agenda escolar de meu filho mais jovem: “Queridos Pais, tragam uma foto da família para um trabalho de classe do George.” Simples, não acha? Procura daqui, olha dali, abrem-se gavetas, fecham-se pensamentos e…nossa, não tínhamos uma única foto em papel onde os quatro estivessem juntos! Nos celulares meu e da Renata, talvez umas mil e poucas; no HD externo da família, umas seis mil desde 2013.

Em um outro dia, mais uma mensagem de whatsapp chega e minha esposa mostra exultante duas imagens, dizendo: “Olha só o que chegou!” Era o nosso álbum de fotos, capa dura, 42 páginas com a materialização da nossa viagem em família ao Cariri, região Sul do nosso Ceará, local mágico e muito mais rico que muitos brasileiros e até mesmo cearenses imaginam.

Vendo atentamente o álbum, revivi o encanto daqueles dez dias e milhares de quilômetros de encontros, de descobertas, de vistas espetaculares em biomas distintos, de calor (físico e humano), de experiências e vivências ao vivo e em (várias) cores. Tudo o que eu já havia experimentado no mundo virtual, na ampla pesquisa que fiz na Internet para montar a viagem e escolher os destinos que conseguissem nos apresentar o caleidoscópio de vida do Cariri. Tanta coisa que merece um outro texto para falar só sobre projetos como a Casa Grande, conduzida magistralmente pelo “cabra da peste” Alembergue Quindins, lá em Nova Olinda, ou o ateliê do Seu Espedito Celeiro, na mesma cidade. Ou ainda as aventuras nos vários pontos do Geopark Araripe. E as experiências com a religiosidade ou as gastronômicas, então. Hummm….

Mas voltando ao álbum, o trabalho de montagem ficou todo a cargo da Renata, que encontrou no Phooto (uma plataforma de montagem de fotolivros, quadros, pôsteres e afins em imagem) o aliado para tornar palpáveis aqueles momentos. Árduo como qualquer exercício de edição, montar um álbum de fotos como esse acaba sendo mais uma experiência coletiva, com cada um dando seu pitaco, escolhendo sua foto, porque quer vê-la impressa depois.

Fechei a última página, olhei a vista de Santana do Cariri lá do alto do Pontal de Santa Cruz na capa e, na contracapa, a explosão de cores da casinha centenária da nossa família no meio dos serrotes da serra de Papa Mel, entre a Altaneira e o Assaré. Apertei o álbum contra meu peito em um gesto mais natural do que mesmo sentimental. E fiquei reflexivo, matutando como podíamos unir mais a riqueza do que o mundo virtual nos oferece com as inimitáveis vivências do mundo real, o de verdade. De carne e osso. E de papel.

É claro que daqui a alguns anos, dependendo de nosso cuidado, o Cariri 2015 será mais um dos livros encostado em alguma estante ou descansando em uma gaveta secundária da casa. Mas na hora que eu o encontrar e tivê-lo em mão, pegar com vontade e folhear suas páginas, as memórias serão acessadas de uma maneira bem própria e diferente do que em qualquer formato de tela.

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