Título: Pantheon, Carros e Bicicletas \ Imagem de um protesto contra as ciclovias em São Paulo.

O desenho simétrico, áureo e clean. A peça de exaltação e culto onde somente os deuses habitam em seu interior. Resultado de anos de estudos e evoluções da matemática e do design.

Pode parecer, mas não falo do pantheon grego, mas sim dos carros. Objeto de adoração onde deuses são donos e habitam aquele espaço que não pode ser desrespeitado, podendo despertar a ira de um deles.

Apesar de claramente o carro ser uma peça esbelta e de alta tecnologia dado cada avanço, não se pode negar o contraste que a existência de outra peça assim como o automóvel possa existir, ser exaltada mas de diferente forma, mal tem seu espaço ou tanto poder quanto os atuais deuses.

O intuito aqui não é acabar com os carros e dar uma bicicleta por habitante (o que não seria tão ruim), mas o objetivo é tentar escancarar alguns conflitos sociais fazendo alguns paralelos como este para demonstrar que o tal “bem comum” é sempre muito relativo e frágil do ponto de vista opinativo, mas que se deve levar em conta quando feito de forma argumentativa.

Usando o exemplo de dar uma bicicleta à cada pessoa não resolve nada, apesar de parecer legal ao defensores do meio ambiente (e quem não é?) e abominável aos ignorantes. O fato de ter uma bicicleta não faz com que todos consigam chegar no trabalho à tempo, além de poder ser uma tarefa cansativa à depender da distância, além de não ser o meio de transporte mais interessante em dias de chuva por exemplo.

OK, então inventamos a situação.

Se dermos um carro a todo habitante, o que acontece? Nesse paralelo as consequências soam muito simples de serem analisadas e vistas, dado que praticamente já existe 1 carro para 4 habitantes no Brasil ( 6,5 milhões de carros em SP contra 261mil ciclistas), e o que acontece quando todas vão para praticamente os mesmos destinos nos mesmos horários?

Então o que fica entre um e outro lado não se chama bem comum e sim bom censo. Pois o bem comum é relativo como mostrado aqui. Para alguns é bom que todos tenham um tipo só de veículo, e então o que fazemos com essa área cinza?

O tal bom censo é aquele que ouve todos os lados, pois apresentei dois, mas existem mais lados. Existem os ônibus, metrô, trem, VLP, Uber, táxis e etc…

Lembram-se quando o Uber começou seu serviço no Brasil? Haviam agressões e xingamentos, pois o pensamento para aqueles que tinham táxis era que quem usa táxi só poderia usar táxi e quem trabalhava com o Uber era uma nova alternativa de trabalho e opção de transporte.

Esse post vai continuar com outro nome, por isso interrompo bruscamente aqui o raciocínio, mas enfatizo que pense se o que você tanto defende, se você está ouvindo todos os lados, ou se está apenas reproduzindo o que “todo mundo acha”.

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