Rotina

Abro os olhos e é de manhã.
Eles ardem, mas é hora de levantar.
Lavo o rosto, bebo água.
Preciso mesmo ir?
Pego meu crachá, o bilhete do transporte.
Faço café.
Preciso mesmo ir?
Tomo meu remédio. 
Vejo o céu. 
Vejo as mensagens no smartphone, nada importante.
Chamo o elevador.
Preciso mesmo ir?
No expediente, o tempo passa rápido.
Conversa jogada fora, alguns quebra-cabeças resolvidos.
Passo o cartão do ponto.
Preciso mesmo voltar?
Como algo no caminho. 
Vejo algumas lojas.
Preciso mesmo voltar?
A estação está lotada.
Não quero aperto, sento enquanto espero esvaziar.
Olho as pessoas mal se encaixando no trem.
Olho os guardas vigiando as plataformas.
Olho os outros trens vindo e indo.
Olho as propagandas em todos os lugares.
Olho o vazio. Encaro o vazio.
Preciso mesmo voltar?
Entro num trem, ainda está cheio. 
Desço, centro comercial.
Entro em várias lojas.
Numa placa, o nome da cidade.
Preciso mesmo voltar?
No smartphone, nada novo.
Preciso pegar um ônibus… Preciso?
Ando sem rumo até cair a primeira gota.
Estou no apartamento.
Me olho no espelho.
Choro.
Preciso mesmo dormir?
Deito.
Choro.
Durmo.

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